A praça Marechal
Deodoro, os manicômios
Eis-me agora na atual Praça Marechal Deodoro, onde, em
certo tempo, ao arribar na cidade uma companhia de artistas de
circo, a população, alvoroçada, acompanhava
com vivo interesse o levantamento do barracão em que se
realizariam os espetáculos. Nela se construiu, em data
mais ou menos recente, o edifício destinado à Maternidade,
em que, sob a inteligente direção do Dr. Oswaldo
Fortini, encontram as gestantes, ricas e pobres, os cuidados médicos
indispensáveis.

Manicômio Judiciário

Nada menos de quatro ruas – Sena Figueiredo, Olyntho de
Magalhães, Sete de Setembro e Marechal Floriano, outrora
Barro Preto – partem dessa praça ou nela se findam,
além de pequena via em direção ao Morro da
Forca, onde (...) construiu pitoresca vivenda de verão
o engenheiro francês Michel, proprietário da importante
fábrica de velas Clichy. Falecendo, anos depois, o rico
industrial e entrando em crise a sua fábrica, incluiu-se
a aprazível chácara entre os demais bens recebidos
pelo Banco do Brasil, passando posteriormente à propriedade
do Conde Modesto Leal, de quem veio a adquirir, na bacia das almas,
o Dr. José Severiano de Lima Junior, que, por sua vez,
a transferiu ao governo do estado, para nela instalar-se o Manicômio
Judiciário.



Hospital da Fhemig
Na extremidade oposta do maltratado e pouco povoado bairro de
Barro Preto, num platô que se estende para os lados do Alto
de Santo Antônio, situava-se, em meio a um bem selecionado
pomar, que veio a ser sacrificado pelo traçado da Estrada
de Ferro, a aprazível vivenda do velho Timótio Abranches.
(...)
Pouco depois da Proclamação da República,
foi essa propriedade adquirida por uma sociedade de que faziam
parte o capitalista comendador Francisco Ferreira e os médicos
Rodrigues Caldas e Gonçalves Ramos, nela vindo a construir-se
um luxuoso hotel, a que logo afluíram os favorecidos do
“Encilhamento”. (...) De curta duração,
foi, porém, essa áurea fase do faustoso estabelecimento,
que entrou em crise com a débâcle do escandaloso
jogo da Bolsa. Adquiriu-o, então, o governo do estado,
que o transformou, para tal adaptando-o convenientemente, em Sanatório
destinado ao tratamento de psicopatas. Foi-lhe o primeiro e competente
diretor o Dr. Joaquim Dutra, que, compulsoriamente aposentado,
veio a ser substituído pelo Dr. Antônio Teixeira.
Removido esse, por exigências da política local,
foi substituído pelo Dr. Cesarini, isso, porém,
por pouco tempo, reintegrado que se viu no precedente cargo, em
virtude de mudança operada da situação política
do estado.
Verificando-se acúmulo de doentes no Sanatório,
resolveu o governo anexar-lhe um hospital-colônia, destinado
aos homens. (...) Adquirida uma fazenda nas vizinhanças,
foi ela convenientemente adaptada aos fins a que se destinava,
achando-se confiada essa seção do Sanatório
ao Dr. Celso Alves Pequeno. (...)

Maternidade |
Bem próximo ao Sanatório, na
baixada que se segue a uma das encostas do Morro da Forca,
situa-se o amplo e sombrio edifício da Santa Casa de
Misericórdia, doado à pobreza de Barbacena por
Antônio Armond, cuja memória vem sendo reverenciada
por seus conterrâneos. (...) Figura meu pai entre os
vários e sucessivos provedores dessa pia instituição,
tendo sido dele a iniciativa da introdução ali
das Irmãs de Caridade. É seu atual provedor
o preclaro barbacenense Ministro Antônio Carlos Lafayette
de Andrada. (...)
Benfeitores não têm faltado a essa pia instituição,
um deles tendo sido o ilustre barbacenense Olyntho de Magalhães,
que a dotou com uma completa sala de operações.
(...) Apaixonado por sua terra natal, (...) não se
limitou em beneficia-la com a já importante doação
feita à sua Santa Casa de Misericórdia, tendo
ainda disposto em seu testamento (...) que toda a sua fortuna,
com exclusão |
| de apenas pequenos legados, se aplicasse na
construção, no terreno em que se situava a casa
que herdara de seus progenitores, de amplo e confortável
edifício em que venham abrigar-se, livres de preocupações,
moças solteiras de boas famílias, que sejam
órfãs de pais e não disponham de recursos
para sua decente manutenção, delas apenas se
exigindo irrepreensível procedimento. |
NOTA: Reprodução de trechos do
livro Minha Terra e Sua Gente, de Alberto Diniz, publicado em
1950. Edição dos capítulos por seu sobrinho-neto
Henrique Diniz. Fotos do acervo da Fundac.
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