Um Santo chamado Antônio
no Alto do Cangalheiro
Iniciarei a minha excursão por uma das extremidades da cidade,
pelo Caminho Novo, que a traz ligada ao Alto de Santo Antônio, mais
conhecido por Alto do Cangalheiro. Poucas casas, e distanciadas umas das
outras, ali se viam, apenas merecendo ser mencionada aquela em que, transferindo-se
do Barro Preto, veio a residir e estabelecer-se como comerciante Timótio
Abranches Filho, casa bastante confortável, tendo no fundo precioso
pomar. O espaço que mediava entre a residência da família
e o estabelecimento comercial fora aproveitado com um bem tratado jardim,
em que floriam camélias, rosas e dálias de variegados matizes.
Do casamento de Timótio Abranches com a boníssima Dona Candinha
nasceram diversos filhos, sendo um deles o Dr. Galdino Abranches, que
se casou com minha irmã Balbina.
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O Pontilhão. Portal de entrada de Barbacena em duas
oportunidades do passado


O Caminho Novo, que já não é tão
novo assim... |
Um pouco além ficava, no lado
oposto da rua, o barracão em que o alemão Hoffman
tinha a sua oficina de ferreiro. Atravessando a ponte, sobre um
riacho que por ali corria, e passado o viaduto da Estrada de Ferro,
via-se, fronteiriço a uma fileira de coqueiros, o prédio
de original arquitetura do velho “Boa Vista”, em cujo
alpendre vistoso galo assinalava os pontos cardeais. No vasto terreno,
a estender-se pelos fundos, havia um magnífico pomar, em
que, além de várias árvores frutíferas,
abundavam as jabuticabeiras. Em data recente abriu-se uma rua que,
dali partindo e costeando terrenos do Sanatório, vai desembocar
no Barro Preto, a qual, em justa e bem merecida homenagem ao primeiro
diretor daquele estabelecimento, recebeu a denominação
de “Dr. Joaquim Dutra”.
Prosseguindo, vamos encontrar, logo a atravessar a ponte sobre o
córrego do Neto, a casa residencial de Joaquim Gomes, onde,
no passeio que ordinariamente fazíamos à tarde eu
e meu pai, às vezes parávamos, atendendo a amável
convite para saborearmos um bom café. Era Joaquim Gomes pai
de Leopoldo que, recomendado por Henrique Diniz, foi nomeado tesoureiro
da Comissão Construtora de Belo Horizonte, vindo, finda a
Comissão, a enriquecer em transações de imóveis
na nova capital do estado. Filho dele era também o Quincas,
que no próprio dia do meu ingresso na escola de Dona Lídia,
sofria, por seu péssimo comportamento, severa punição,
que me deixou estarrecido. Anos depois, trabalhando ele numa fazenda
do município de Juiz de Fora, em cujo foro exercia eu a advocacia,
foi processado por crime de ferimentos graves, tendo sido por mim
defendido e pelo júri absolvido.
Em modesta casa, pouco distante da precedente, morava o capitão
Rufino, oficial reformado da polícia mineira, o qual, tendo
estado na guerra do Paraguai, vivia a blasonar hipotéticas
proezas que lá praticara. |
| Com o correr do tempo, grandes modificações
se operaram nessa parte da cidade que venho de percorrer, em toda
a sua extensão se tendo construído excelentes prédios
residenciais, não lhe faltando bem providos estabelecimentos
comerciais e nem tampouco escolas para a sua já numerosa população
infantil |
| NOTA: Reprodução
de trechos do livro Minha Terra e Sua Gente, de Alberto Diniz, publicado
em 1950. Edição dos capítulos por seu sobrinho-neto
Henrique Diniz. Fotos do acervo da Fundac. |
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