O desentendimento entre o juiz Carlos Pavanelli Batista,
da 1ª Vara Cível, de São João
Del Rei, e o promotor Adalberto Christo Leite, do
Ministério Público, aconteceu na última
quinta-feira (30), no Fórum Carvalho Mourão.
O promotor acusou o juiz de ter apontado a arma para
sua cabeça durante discussão. De acordo
com Adalberto, o juiz Pavanelli teria feito várias
insinuações e provocações
durante uma audiência em que testemunhas eram
ouvidas no caso que apura o envolvimento de quatro
candidatos a vereador e do atual prefeito em compras
de votos na última eleição. Além
disso, Adalberto alega ter sido perseguido pelo juiz
que recusou todas as provas apresentadas pelo Ministério
Público para incriminar o réu.
Além dele e do juiz, participam da audiência
seis advogados, um acusado, uma testemunha e um escrevente.
O estopim teria sido o momento em que uma das advogadas
teria tentado registrar um elogio ao promotor na ata
da audiência e o juiz teria encerrado os trabalhos.
O juiz disse que apenas mostrou a arma e que não
a apontou para o promotor. Pavanelli nega todas as
acusações.
A briga entre o juiz e o Ministério Público
é antiga. Em abril deste ano o juiz foi acusado
pelo Ministério Público de imparcialidade
em um caso que envolvia o ex-prefeito Nivaldo Andrade.
Na terça-feira (4), o promotor Adalberto foi
a Belo Horizonte, com outro promotor também
citado na discussão, para registrar o pedido
de afastamento do juiz Pavanelli na Corregedoria de
Justiça. De acordo com a Assessoria de Imprensa
do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a Lei
Orgânica da Magistratura dá direito ao
juiz de ter o porte de arma em qualquer lugar. O Boletim
de Ocorrência foi registrado na Polícia
Militar e encaminhado à direção
do Fórum.