| Ele se dedica à coleção nos fins
de semana e conta com a ajuda de Sérgio, que faz
a pintura (Arte Sérgio) em aerografia, uma técnica
diferente da que era empregada pelo fabricante, mas cujo
resultado é igual: não deixa relevo entre
as listras. Embora o colecionador consiga alguns modelos
antigos descaracterizados, ele pesquisa, vê filmes
e procura vestígios que mostrem como era a pintura
original.
A história contada pelas bicicletas
Tatá apresentou ao Barbacena On Line quatro tipos
de bicicletas antigas: Raleigh (1951), Armstrong (1939),
Rudge (1947) e Phillips (1941). Além disso, ele
mostrou peças das bicicletas que estão
em processo de restauração. No total ele
tem uma coleção de 10 exemplares. Ao reparar
todos esses modelos é possível identificar
traços culturais e enxergar gerações
que fizeram a vida em cima de uma bicicleta.
O bagageiro, também chamado de garupa, era usado
para transportar, por exemplo, sacos de cimento, botijão
de gás e até pessoas. Ao sair para passear,
o dono retirava o bagageiro, o que deixava o paralama
à mostra e dava um certo charme, porque afastava
a ideia de que a bicicleta era usada para trabalho e
a associava ao lazer e ao esporte.
A Prefeitura de Barbacena fazia registros e cobrava
impostos de quem tinha bicicletas e outros meios de
transporte. Por isso, alguns modelos do colecionador
estão emplacados. O registro tinha de ser renovado
anualmente. Já as campainhas de dois tímpanos
reavivam a memória de quem conviveu com esse
som pelas ruas de Barbacena.
O farol era um acessório e permitia a locomoção
à noite. Como o sistema de produção
de corrente era feito através de um dínamo
que fica em contato com a roda traseira, a condição
para ter luz era pedalar muito. Até o sistema
de luz alta e baixa já era empregado nas bicicletas
antigas.
O quadro trapezoidal como é usado até
hoje foi invenção da Humber, que começou
a fabricar bicicletas em 1790. Tatá explica que
os freios a varão (anteriores ao cabo de aço
que é usado até hoje) chegam a ser tão
seguros quanto os freios de motocicletas. A bomba de
encher pneu, acessório fundamental para o funcionamento
da bicicleta, tinha até suporte no quadro, conforme
o modelo.
O selim era feito de três molas (a da frente
do tipo caracol) e coberto por couro. Geralmente, era
fabricado fora da Inglaterra. As bicicletas da marca
Phillips, a atual fabricante de eletroeletrônicos,
era comparável ao Fusca: popular e resistente.
O desleixo transformado em relíquia
Geralmente quando fica sabendo que alguém tem
uma bicicleta, Tatá vai até a casa e faz
proposta de compra. Há pessoas que dispõem
a bicicleta na hora, outros donos mais apegados demoram
e pedem para pensar. O colecionador conta que já
houve situação em que encontra as bicicletas
jogadas em galinheiro, com pneus detonados e guidão
enferrujado.
Tatá costuma gastar mais de R$ 1 mil para restaurar
a bicicleta, comprar peças, cromar. Para deixar
a estrutura sempre em bom funcionamento, ele dá
uma voltinha com elas de vez em quando na frente da
sua oficina, que fica na Rua Governador Valadares. O
colecionador pretende adquirir bicicletas femininas
e fazer uma exposição com todos os seus
exemplares. Ele tem trabalhado agora também com
motos antigas.
A Índia foi e é atualmente o maior fabricante
de bicicletas. As antigas são chamadas de camelo
porque eram um meio de transporte resistente e que dispensa
combustível, assim como um camelo atravessa um
deserto e não precisa de água. |