Há cinco anos, Ademir José de Paiva
se tornou dono de um sebo, lojas que vendem sobretudo
revistas e livros usados. Ele recebeu o ponto de um
amigo e colocou nas prateleiras sua biblioteca particular
de cerca de 400 exemplares.
A possibilidade que se abria para ele era renovar
o próprio acervo com a circulação
de livros através da compra, venda e troca,
e ter, a cada dia, números diferentes, edições
variadas, títulos interessantes. Ele passou
a vender também discos de vinil, revistas em
quadrinhos, livros importados e didáticos.
Ademir afirma que o preço de um livro vendido
em sebo corresponde a 10% do valor do livro novo.
“A gente só coloca à venda livros
em bom estado de conservação. O excepcional
é uma raridade que está em mau estado.
Mas não tem problema, porque ele sai assim
mesmo, pelo fato de ter mais valor para quem coleciona
ou está à procura há muito tempo”.
Da lamparina à Internet
Ademir explica a origem do nome “sebo”
para designar esse tipo de comércio de livraria.
“Quando não existia luz elétrica,
as pessoas liam à luz de lamparinas que soltavam
fumaça. Então os livros da biblioteca
ficavam sujos de fuligem. As bibliotecas eram chamadas
sebos por causa da imundície dos livros”.
O fato é que os sebos ultrapassaram a Idade
Média e chegaram ao século XXI mantendo
a sua característica, porém se integrando
ao mundo virtual. Agora já existe Sebo On Line,
o que aumenta as chances de quem busca um exemplar
raro ou cuja edição já esteja
esgotada. O Sebo do Ademir, que fica na Rua Teobaldo
Tolendal, é um dos cadastrados na Estante Virtual.
O pedido de livro vai para o email do responsável
e o exemplar é enviado pelo correio.
Ademir sente que a procura por bons livros ainda
é pequena na cidade. “Eu só não
fecho o meu sebo porque faço um trabalho social
de incentivo à leitura e também porque
tenho sempre um novo número para ler”.
No sebo do Ademir também é possível
encontrar best-sellers atuais, como O Código
da Vinci, de Dan Brown, Mentiras que os homens contam,
de Luís Fernando Veríssimo, entre outros.
O gosto dos freqüentadores de sebos
“O que mais sai aqui são gibis do Pato
Donald, Turma da Mônica, Luluzinha; em seguida
vêm livros de bolso de faroeste, depois livros
que fazem muito sucesso com as mulheres: romances
da coleção do tipo Sabrina, Bianca.
Por fim, a gente vende muito dicionário de
bolso e gramática. Os romances que mais saem
da literatura internacional é de Agatha Christie
e Sidney Sheldon”.
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Fotos: Raquel
Sigaud |
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Ademir
Paiva tira um livro de Jorge Amado e diz que
o autor é
muito procurado pelos alunos do ensino fundamental
e médio |
Na
Banca Cultural, o menino olha um disco de vinil,
que ainda tem boa saída nos sebos |
No entanto, o atual responsável pela Banca
Cultural, que fica em frente à Praça
do Globo, alerta para o fato de as gramáticas
ficarem encalhadas por causa do Novo Acordo Ortográfico.
“Ninguém vai querer comprar gramática
antiga”.
Os títulos da literatura brasileira saem mais
quando vão cair em vestibulares da região
ou quando as escolas propõem um trabalho, segundo
os comerciantes. Uma comparação entre
as literaturas estrangeira e brasileira permite afirmar
que a estrangeira é mais procurada que a nacional.
Um fenômeno interessante na rotina dos sebos
é que os livros vão e retornam Ademir
conta que há pessoas que trocam, vendem ou
doam livros para sebos. “Quando um membro da
família morre, e os filhos ou parentes não
têm gosto por livros, eles fazem doações
para sebos”.
Banca Cultural
A Banca Cultural, também conhecida como Banca
do Júlio, atende um público variado:
crianças na fase de iniciação
à leitura que busca livros da série
Vagalume, professores, advogados, artistas e juízes.
A média de preço da maioria dos livros
é R$ 7. As coleções mais caras
chegam a R$ 80, porque incluem mais de um volume.
Para colocar o preço, os vendedores se baseiam
na qualidade do livro e na relevância que a
obra tem dentro de critérios literários.
“Os clássicos e as primeiras edições
de um livro são sempre mais valorizados”.
Na Banca Cultural, a média de vendas é
de 10 a 15 livros por semana.