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Sebos: opção barata para todo tipo de leitor e colecionador

RAQUEL SIGAUD - Editoria Cultura - 09/02/09 - 07h45
 

Há cinco anos, Ademir José de Paiva se tornou dono de um sebo, lojas que vendem sobretudo revistas e livros usados. Ele recebeu o ponto de um amigo e colocou nas prateleiras sua biblioteca particular de cerca de 400 exemplares.

A possibilidade que se abria para ele era renovar o próprio acervo com a circulação de livros através da compra, venda e troca, e ter, a cada dia, números diferentes, edições variadas, títulos interessantes. Ele passou a vender também discos de vinil, revistas em quadrinhos, livros importados e didáticos.

Ademir afirma que o preço de um livro vendido em sebo corresponde a 10% do valor do livro novo. “A gente só coloca à venda livros em bom estado de conservação. O excepcional é uma raridade que está em mau estado. Mas não tem problema, porque ele sai assim mesmo, pelo fato de ter mais valor para quem coleciona ou está à procura há muito tempo”.

Da lamparina à Internet
Ademir explica a origem do nome “sebo” para designar esse tipo de comércio de livraria. “Quando não existia luz elétrica, as pessoas liam à luz de lamparinas que soltavam fumaça. Então os livros da biblioteca ficavam sujos de fuligem. As bibliotecas eram chamadas sebos por causa da imundície dos livros”.

O fato é que os sebos ultrapassaram a Idade Média e chegaram ao século XXI mantendo a sua característica, porém se integrando ao mundo virtual. Agora já existe Sebo On Line, o que aumenta as chances de quem busca um exemplar raro ou cuja edição já esteja esgotada. O Sebo do Ademir, que fica na Rua Teobaldo Tolendal, é um dos cadastrados na Estante Virtual. O pedido de livro vai para o email do responsável e o exemplar é enviado pelo correio.

Ademir sente que a procura por bons livros ainda é pequena na cidade. “Eu só não fecho o meu sebo porque faço um trabalho social de incentivo à leitura e também porque tenho sempre um novo número para ler”. No sebo do Ademir também é possível encontrar best-sellers atuais, como O Código da Vinci, de Dan Brown, Mentiras que os homens contam, de Luís Fernando Veríssimo, entre outros.

O gosto dos freqüentadores de sebos
“O que mais sai aqui são gibis do Pato Donald, Turma da Mônica, Luluzinha; em seguida vêm livros de bolso de faroeste, depois livros que fazem muito sucesso com as mulheres: romances da coleção do tipo Sabrina, Bianca. Por fim, a gente vende muito dicionário de bolso e gramática. Os romances que mais saem da literatura internacional é de Agatha Christie e Sidney Sheldon”.

Fotos: Raquel Sigaud
Ademir Paiva tira um livro de Jorge Amado e diz que o autor é
muito procurado pelos alunos do ensino fundamental e médio
Na Banca Cultural, o menino olha um disco de vinil,
que ainda tem boa saída nos sebos

No entanto, o atual responsável pela Banca Cultural, que fica em frente à Praça do Globo, alerta para o fato de as gramáticas ficarem encalhadas por causa do Novo Acordo Ortográfico. “Ninguém vai querer comprar gramática antiga”.

Os títulos da literatura brasileira saem mais quando vão cair em vestibulares da região ou quando as escolas propõem um trabalho, segundo os comerciantes. Uma comparação entre as literaturas estrangeira e brasileira permite afirmar que a estrangeira é mais procurada que a nacional. Um fenômeno interessante na rotina dos sebos é que os livros vão e retornam Ademir conta que há pessoas que trocam, vendem ou doam livros para sebos. “Quando um membro da família morre, e os filhos ou parentes não têm gosto por livros, eles fazem doações para sebos”.

Banca Cultural
A Banca Cultural, também conhecida como Banca do Júlio, atende um público variado: crianças na fase de iniciação à leitura que busca livros da série Vagalume, professores, advogados, artistas e juízes. A média de preço da maioria dos livros é R$ 7. As coleções mais caras chegam a R$ 80, porque incluem mais de um volume.

Para colocar o preço, os vendedores se baseiam na qualidade do livro e na relevância que a obra tem dentro de critérios literários. “Os clássicos e as primeiras edições de um livro são sempre mais valorizados”. Na Banca Cultural, a média de vendas é de 10 a 15 livros por semana.




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