À memória de Tiradentes

NEWTON SIQUEIRA DE ARAUJO LIMA - Editoria Opinião - 14/07/12 - 07h05
 

Newton Siqueira de Araújo Lima (Assessor Leonístico de Assuntos Culturais e Comunitários)

Volta e meia, tenho recebido e-mails de pessoas desconhecidas, através de um grande amigo e colega, nos quais se tenta enodoar a figura do nosso Proto-Martir da República, como se fosse ele um mero “laranja” (aplico aqui a expressão usada modernamente para as pessoas “inocentes úteis”, que servem de intermediários de fatos, episódios ou negócios ilícitos ou reprováveis) no movimento da Conjuração Mineira – um brado de alerta contra a Coroa Portuguesa, que, no afã de explorar mais e mais as riquezas minerais desta “Formosa Província de Minas” e manter o seu luxo e o seu brilho aparente e mentiroso, embora à beira da falência e sempre dependente poderio da Inglaterra, pressionava os brasileiros sequiosos de sua independência e contrários ao arrocho de impostos. Tiradentes não foi nenhum santo, isto é sabido, mas não se pode negar nele o seu poder de liderança, tanto assim que conseguiu a adesão de magistrados, intelectuais, poetas e superiores hierárquicos e mesmo humildes cidadãos, e cercar-se de pessoas irmanadas com o seu Ideal. E citei como exemplo recente em trabalho nesse sentido o papel de um simples operário metalúrgico que chegou à Presidência da República – Lula.

É verdade que, nos “Autos da Inconfidência Mineira”, em 10 volumes, e na obra “Devassa da Devassa”, de Kenett Maxwell, em nenhum momento os pesquisadores e historiadores desmentiram o papel preponderante da Maçonaria nestes episódios, assim como também é inegável sua presença na Revolução Francesa e na independência dos Estados Unidos; e os fatos históricos, sua repercussão e sua influência no mundo e na política mundial (principalmente a Revolução Francesa) jamais foram contestados, como fazem crer alguns com a Conjuração Mineira.  Assim também é sobejamente reconhecido o interesse econômico da maioria dos conjurados (lembremo-nos principalmente do traidor maior, Joaquim Silvério dos Reis, que denunciou o movimento na esperança de ver perdoada sua enorme dívida com a Coroa Portuguesa, e pediu declaração de ter sido o primeiro a denunciá-la). Joaquim Silvério dos Reis Montenegro Leiria voltou a Portugal logo após a denúncia, certamente na esperança de ser atendida a sua reivindicação, retornou ao Brasil e viveu durante certo tempo no norte do País, desconhecido e desprezado.,e isto os novos “historiadores” jamais contestaram , ou provavelmente ignoraram. Chega a ser ridícula, perdoem-me, a alegação de tais pessoas com relação à probabilidade de não ter sido Tiradentes enforcado no Largo da Lampadosa, e sim um tal de Gouveia, ladrão, e seus restos esquartejados terem sido espalhados por estas Minas Gerais, assim como ter sido ele Tiradentes visto nas ruas do Rio de Janeiro e aí se estabelecido na segunda década do século 19, na  volta do “desterro”  a que fora condenado, não sem antes, segundo um dos missivistas, ter estado em Paris logo após a Conjuração. Disse mais tal remetente que o Proto-Martir fora influenciado pelo poeta e juiz Cruz e Silva nas idéias da Maçonaria.

Perdoem minha ignorância, mas não encontrei no rol de nossos poetas o nome de Cruz e Silva e sim Cruz e Sousa, poeta simbolista que nasceu em 1861, morreu em Sítio (Antônio Carlos) cem anos depois do sacrifício de Tiradentes. . .  E mais: sem dúvida, pressionados pelos inquisidores, os conjurados, em sua maioria, negaram sua participação e passaram a transferir a “culpa” uns aos outros, e somente Tiradentes teve a coragem e a elevação moral de chamar para si inteiramente a responsabilidade da rebelião.

Disse eu em trabalho anterior que respeitava (e respeito) o direito e a liberdade de tais pessoas dizerem o que disseram, mas, lembrando Voltaire, não concordo com nenhuma de suas palavras.  Tais “novidades históricas” parece desejarem desmoralizar o mais legítimo movimento libertário já havido neste País, e nascido aqui nesta terra abençoada – “berço de idéias liberais, formosa Província de Minas”, no dizer de Francisco Otaviano. Assim como aconteceu com o Aleijadinho, considerado por tais pessoas apenas um mito tempos atrás.

Ardoroso defensor do movimento liderado por Tiradentes, aqui vai o meu protesto, portanto, contra tais aleivosias...



Voltar para home
Imprimir
Enviar para amigo
Entrar em Contato
Barbacena Online © Copyright 2001 - 2013. Todos os direitos reservados