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8 de janeiro de 2017 às 11h26

Racismo ambiental: uma perspectiva mais profunda de observação das injustiças sociais e eco relacionais

A opinião de Delton Mendes Francelino

Delton Mendes Francelino
Racismo ambiental: uma perspectiva mais profunda de observação das injustiças sociais e eco relacionais

A realidade mundial, globalizada e extremamente calcada em processos tecnológicos, esconde muitos problemas sociais e ambientais, alguns deles exponenciais e raramente colocados em debate público. O racismo ambiental, termo desconhecido da maior parte da população, é um dos problemas que mais expõem a injustiça e iniqüidade que afetam, matam e interferem na dignidade existencial de diversos povos, justamente pelo silenciamento dos múltiplos fatores que envolvem o tema. Mas, afinal, o que é o racismo ambiental?

Denomina-se racismo ambiental as injustiças sociais e ambientais que atingem povos vulneráveis, geralmente minorias, como povos indígenas, quilombolas, agricultores familiares, ribeirinhos, pescadores artesanais, caiçaras, marisqueiras e outras populações tradicionais.

O conceito de racismo ambiental é amplo e oferece uma nova perspectiva de impacto racial, não necessariamente apenas aquele evidenciado pela prática racista popularmente conhecida como preconceito e discriminação pela cor da pele, por exemplo. Toda forma de subtração de direitos e não potencialização de voz em virtude de raça e etnia é considerado racismo ambiental. Logo, é uma luta por uma realidade mais justa e igualitária, que não seja privilégio de poucos, como tanto ocorre no Brasil, sobretudo poucos com poder financeiro, como pecuaristas, empresários do agronegócio e de produtos primários e grandes mineradores.

O racismo ambiental pode ser percebido em diversos setores da sociedade, desde as favelas e periferias, até o campo, que sofre com processos de privatização de território, desmatamento e desertificação. Os índios, por exemplo, representam um dos povos mais atingidos por processos de racismo ambiental, principalmente em decorrência das péssimas condições de existência que possuem. Turismo predatório e a gentrificação são outros exemplos comuns desse quadro, pois refletem o anseio capitalista de crescimento e consumo, que marginaliza povos e minorias, alavancando os índices de injustiça social e ambiental.

Trata-se, como se vê, de um tema complexo, mas muito comum. Por isso é tão importante sua discussão e popularização, pois mostra como os preconceitos étnicos e raciais são muito mais profundos e carecem de melhor suporte para a construção de políticas públicas que possam evidenciar e potencializar melhores perspectivas de justiça e equidade para o futuro de todos os povos que compõe a sociedade mundial. Impedir que o grande capital influencie e defina a vida de pessoas e comunidades, lançando-as a guetos existenciais, é um dos principais objetivos de quem se dispõe a lutar contra o racismo ambiental, uma luta que precisa e deve se popularizar para que um futuro mais sustentável possa ser construído. 

Delton Mendes Francelino é Diretor Internacional do Instituto Curupira (MG, SP e EUA)
Mestre (UFSJ) Análise Crítica do Discurso/ Teoria Crítica da Cultura
Mestrando (UFSJ) Artes, Urbanismo e Sustentabilidade
Gestão e Planejamento de Áreas Naturais Preservadas (CT)
Palestrante e professor: Meio Ambiente/ Eco cultura/Permacultura/Ecoeducação
Contato cel/+whatsapp:(32) 9 8451 9914