2 de dezembro de 2016 às 21h13

O planeta chegou a seu limite e a resposta a isso será cataclísmica

A opinião de Delton Mendes Francelino

Delton Mendes Francelino
O planeta chegou a seu limite e a resposta a isso será cataclísmica

Somos mais de 7 bilhões de pessoas no planeta, distribuídas de forma irregular pelos continentes, de tal maneira que somente Índia e China, juntas, possuem mais de 3 bilhões de habitantes. O mundo humano cresceu exponencialmente nos últimos séculos, sobretudo no século XXI, e a perspectiva é de que nossa espécie atinja cerca de 10 bilhões de indivíduos até o ano de 2045. Quanto mais crescemos em quantidade, mais reduzimos os recursos naturais e a porcentagem de terra fértil da Terra.

Algumas questões pipocam e crescem no universo da preocupação: nosso planeta dará conta de suportar essa quantidade de gente? É possível existir justiça social e ambiental com o aumento da necessidade de alimentos, espaços urbanos e agrícolas e de novas tecnologias típicas da realidade irreversível da globalização? A resposta é clara: não há qualquer possibilidade de justiça social e ambiental, muito menos de um futuro digno e sustentável para a humanidade (e grande parte da fauna e flora) se mantivermos o atual perfil de consumo e de apropriação/subtração dos recursos do planeta.

A verdade é que se não começarmos imediatamente a planejar melhor o crescimento da humanidade e a forma como utilizamos os recursos do planeta (e a maneira como nos apropriamos deles de forma arbitrária e inconseqüente), um drama pérfido será vivenciado já nos próximos 10 anos. Dados de pesquisas científicas revelam que certamente sequer a água será um bem acessível a mais de 50% da população humana em 7 anos (já existem conflitos pelo uso da água, inclusive bélicos, e certamente o gado terá mais acesso à água que a maior parte das pessoas).  

Além dos recursos hídricos, tudo indica que a produção de alimentos baseada na policultura deverá diminuir drástica e dramaticamente para a criação de espaços para pecuária e monocultura, principalmente em decorrência do consumo de proteína animal (principal agente de diminuição de terras cultiváveis em todo o mundo e de redução de florestas). O nosso atual índice de consumo de água, carne, tecnologia dependente de combustíveis fósseis e produtos agrícolas possibilitaria a vida digna de apenas cerca de 2,5 bilhões de pessoas, ou seja, é como se estivéssemos colocando peso em excesso numa estrutura frágil, que pode romper-se a qualquer instante.  

Isso significa que quem terá acesso a alimentos de qualidade e à água potável serão aquelas pessoas historicamente empoderadas, seja pela hegemonia do capitalismo, seja pela potencialidade de imanência discursiva.  A situação fica mais preocupante se aliada a outros fatores, como a diminuição crescente do petróleo, que gerará um caos energético e tecnológico mundial (que tende a gerar a centralização mais forte do poder), e a crise dos sistemas democráticos em todo o mundo, com representantes públicos despreocupados com minorias e direitos sociais fundamentais, como o saneamento básico e a educação libertadora.

A situação já é crítica. A construção de uma realidade de convivência orgânica, sustentável e ecologicamente equilibrada com o planeta e seus recursos precisa ser imediatamente trabalhada e reconstruída, nos mais diversos níveis de construção da informação, das escolas às mídias; dos centros culturais aos laboratórios de pesquisa; das universidades aos centros tecnológicos, câmaras de deputados e senadores; em todas as possíveis fontes de formação de opinião. Salvar a humanidade começa pela mudança da forma de entender o mundo e a vida. Depende diretamente da transformação do comportamento. É uma questão cultural, cuja essência é o pensamento ecossistêmico e ecosófico, coletivo e integrado.

Diretor Internacional do Instituto Curupira (MG, SP e EUA)
Mestre (UFSJ) Análise Crítica do Discurso/ Teoria Crítica da Cultura
Mestrando (UFSJ) Artes, Urbanismo e Sustentabilidade
Gestão e Planejamento de Áreas Naturais Preservadas (CT)
Palestrante e professor: Meio Ambiente/ Eco cultura/Permacultura/Ecoeducação