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3 de setembro de 2016 às 20h23

Ernst Hasenclever

Observatório de Newton Siqueira de Araújo Lima

Da Redação
Ernst Hasenclever

A bondade e a gentileza do ofertante estão retratadas na amável dedicatória: “Ao ilustre  historiador Newton Siqueira A.Lima oferece seu admirador, Edson Brandão. 15/7/16”.  Não contente, honrou-me com a sua presença em minha residência e me entregou pessoalmente a obra que tanta luta lhe custara, bem como a seus companheiros na sua edição. Luta que lhe exigiu doze anos de pesquisas intensas, seguidos contatos com entidades culturais, inclusive  Universidades. 

Desde quando, ainda adolescente, interessei-me por História, especialmente a rica história de Barbacena,  indagava de mim mesmo quem seria “esse tal de Hasenclever” , que deixara estampados em suas memórias um desenho e provavelmente anotações de Barbacena ao longe, de oeste para leste, sem dúvida vistos de nosso histórico Monte Mário,  onde aparecem as  centenárias igrejas da Boa Morte e da Matriz da Piedade.

Edson Brandão contou-me a longa caminhada da obra até sua edição. Um jornal antigo lhe chegara às mãos e havia publicado longa reportagem sobre o centenário da Casa Hasenclever no Rio de Janeiro,  de alemães que lá se haviam radicado  e vendiam artigos importados.  NA reportagem, foto da antiga casa  de Ernst Hasenclever e onde fora encontrada uma caixa com desenhos e anotações por ele feitos em  suas viagens pelo interior das então províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais, notadamente nas regiões metalúrgicas e auríferas mineiras. O então jovem Hasenclever era oriundo de zona metalúrgica da Alemanha,  em cuja localidade Solingen era provavelmente fabricado o canivete do mesmo nome e cuja lâmina de excepcional  qualidade  era muito apreciada pelos brasileiro há muitos anos.  Com esse precioso achado, foram feitos oportunos e providenciais contatos  com pessoas interessadas no assunto, inclusive da historiadora e professora brasileira, Débora  Bendocchi Alves, da Universidade de Colônia (Alemanha) e posteriormente da também professora e  historiadora Maria Marta Araújo, da Fundação João Pinheiro.  O grande obstáculo estava agora na tradução de expressões e trechos arcaicos escritos por  Hasenclever.  A difícil missão mereceu acolhida do geólogo alemão Professor Friedeich Rengel, há muito residente em Belo Horizonte.  Isto tudo após constantes tentativas em busca de alguma instituição cultural que se encarregasse de patrocinar a edição da obra.    

Foi a vez da Fundação João Pinheiro, em Belo Horizonte, que se interessou a este respeito a acolheu o pedido.  Doze anos de lutas!!!

A  esplêndida edição gráfica ficou a cargo do nosso ilustre conterrâneo Edson Brandão, cuja arte e cuja criatividade são um dos pontos altos da obra,além do capítulo a seu cargo sobre a análise crítica dos desenhos feitos por Hasenclever.   Desenhos a  lápis das localidades por passou e das minas de ouro por ele visitadas (Gongo Soco, Morro Velho e outras). Além de inúmeras páginas por ele artisticamente esmaecidas de trechos da escrita do viajante alemão.  Cada um dos envolvidos nessa grande missão escreveu um capítulo de sua especialidade.

Adiantou-me Edson Brandão que pretende lançar brevemente ao público essa magnífica obra de brilhante e  histórico conteúdo.

Nós, barbacenenses, é que estamos de parabéns pelo valioso presente que em breve receberemos.