9 de outubro de 2016 às 12h18 atualizada em10 de outubro de 2016 às 18h42

Comer carne: o maior ato terrorista já praticado pela humanidade contra si mesma e contra os animais

A opinião de Delton Mendes Francelino

Delton Mendes Francelino
Comer carne: o maior ato terrorista já praticado pela humanidade contra si mesma e contra os animais

Comer carne é o principal hábito alimentar da maioria dos brasileiros e tem se tornado um dos expoentes de crescimento de consumo também pelo mundo. Dados da ONU (Organização das Nações Unidas) deixam claro que a perspectiva é de que o consumo de carne e, consequentemente, produção de bovinos, praticamente dobre nos próximos 15 anos. O que isso pode provocar e o que você tem a ver com isso?

Bom, muitas pessoas desconhecem os problemas ambientais, sociais e econômicos que a cultura do consumo de carne provoca, mitiga e potencializa cada vez mais. Para começar, estatísticas da ONU, da FAO (Organização para Agricultura e Alimentação das Nações Unidas) e de algumas universidades públicas brasileiras e internacionais mostram que a pecuária e a produção de grãos para alimentação de gado são as grandes responsáveis pelo desmatamento da Amazônia. E sabem em qual nível? Aproximadamente 90% da floresta foi devastada para esses fins, ou seja, para a agricultura animal. E não é perspicaz o discurso de que o que mais devasta a floresta é a soja e não a agricultura animal, uma vez que só no Brasil cerca de 70% desse grão é produzido para alimentar bois. Nos EUA, a quantidade chega a praticamente 90%. Logo, uma coisa leva à outra. Ou seja, nós estamos literalmente comendo a Amazônia.

Continuando: a carne produzida em todo o planeta alimenta apenas algo em torno de 16 a 21% da população mundial. Para piorar a situação, cerca de 1,1 bilhão de pessoas passam fome no mundo atualmente, das quais 25% morrem têm perspectiva de morte. Os ignorantes podem dizer: ”mas, o fato dessas pessoas passarem fome nada tem a ver com a carne”, uma afirmativa incoerente e insensata, tendo-se em vista que 47% das terras de boa qualidade, ideais para plantio, por exemplo, são usadas exclusivamente para a agricultura animal (pecuária e alimentação para a pecuária). Para ficar mais triste a situação: 82% das crianças que passam fome vivem em países onde grande parte da comida produzida é dada para os animais, que depois são vendidos em forma de carne para países desenvolvidos.

O problema fica ainda mais grave quando somamos tudo isso a outros fatores: o consumo médio de carne de um brasileiro por dia é de 287g (na melhor das perspectivas) quando a quantidade máxima de consumo de carne recomenda pelo Ministério da Saúde brasileiro é de 100g diárias.  Essa quantidade de carne diária consome nada menos que 4.300 litros aproximados de água para cada quilo de carne. 34% da água consumida no mundo não é para o consumo humano: é para a manutenção da produção de carne e cultivo de forragem para o gado. Saiba também que uma única vaca consome cerca de 65 quilos de ração por dia e aproximados 150 litros de água diários. Multiplique isso por 1,2 bilhão de bovinos, quantidade existente hoje no planeta.

Atualmente são cerca de 72 bilhões de animais cultivados para o abate em todo o mundo. Para onde vai todo o excremento, fezes e urina, de todos esses animais? Para o subsolo, rios, mares, num processo ininterrupto de poluição em níveis catastróficos. Se não bastasse, dados precisos mostram que o metano (gás produzido pelos bovinos no processo de digestão e expelido em forma de “peido”) é 20 vezes mais prejudicial que o dióxido de carbono. E aí?

São dados de anos de pesquisa de instituições confiáveis. A indústria da carne é a principal prejudicadora dos recursos naturais. O consumo de carne é um problema social. É um problema econômico. É a principal quebra das perspectivas de sustentabilidade do planeta e uma das mantenedoras de representantes políticos corruptos e assassinos. É um atentado direto ao direito à vida digna de bilhões de animais. E você? Como vai agir diante disso? Parar de comer carne, ou pelo menos reduzir, além de uma atitude de saúde e bem estar coletivo, é uma atitude em defesa da justiça social e da sustentabilidade tão sonhada e pouco praticada.

O maior ato terrorista praticado no mundo hoje não é praticado pelo Estado Islâmico ou por quaisquer guerras: é praticado por bilhões de pessoas, por meio de garfos e facas, ao patrocinarem a injustiça social e econômica e o maior holocausto provocado por um ser vivo na história do planeta.