18 de setembro de 2016 às 18h38

A alienação que rouba a tua vida

A opinião de Delton Mendes Francelino

Delton Mendes Francelino
A alienação que rouba a tua vida

Não é mistério: a vida é humana é curta, extremamente curta, uma vez comparada à escala universal da existência do cosmos, por exemplo, e até mesmo de alguns seres vivos. Dentro da escala temporal do planeta Terra, equivaleria dizer que toda a história da humanidade  se resume apenas ao último segundo de um ano de 365 dias.  Será possível definir, nesse sentido, com exatidão, o que torna uma vida digna e satisfatória diante da modernidade e contemporaneidade do mundo social no qual nos encontramos?

O princípio básico, segundo algumas crenças antigas, como o budismo, para que uma vida não seja curta, ou seja, que não seja analisada pela escala convencional do tempo e banalizada, seria uma espécie de índice de liberdade: quanto mais livres somos, mais completolé o viver. Mais que isso, a liberdade seria o conjunto da felicidade que irrompe de dentro para fora, e a felicidade que cresce de fora para dentro. Em outras palavras, a liberdade teria como principal pressuposto a não alienação sobre os princípios fundamentais de uma existência.

Exatamente nesse sentido, a reflexão que fica é: qual o tamanho de sua vida? Quanto tempo dedica-se a praticar o ato de liberdade, onde nada mais importante é que existir e coexistir no mundo, sem as pressões que tornam superficiais e inexistentes os “índices de liberdade”?

Não à toa pesquisas científicas têm mostrado que cresce a quantidade de pessoas que utilizam psicotrópicos e antidepressivos. Crescem exponencialmente as doenças e males potencializados pelo stress, insatisfação moral e ética, infelicidade e sensação de incompletude.

De tudo, e ao todo, fica claro que as pessoas mais felizes, ou seja, com maior percepção íntima de liberdade e retorno natural existencial, são aquelas que se dedicam ao simples. Discípulas da não alienação do que é fundamental, não se satisfazem com altos salários ou patentes. Não se satisfazem com o status social ou o egoísmo da indústria da beleza e do corpo. Por isso os índios são considerados, uma vez libertos da pressão da sociedade capitalista, os povos com maiores percepções de liberdade e felicidade. São puros, e não se deixam dominar pelo prazo dos meses, pelo contar das horas, muito menos pelo saldo do cartão de crédito. Compreendem a fugacidade da vida, sem a alienação do modelo que nós seguimos diariamente, das esquinas aos bares, das escolas às universidades, dos motores de combustão às tecnologias da informação ubiqua.

Antes de buscar a felicidade e a satisfação existencial, talvez seja interessante questionar-se: até que ponto minha alienação torna minha vida mais curta do que deveria ser? Ou ainda: até que ponto as horas contadas de meus dias são horas contadas por minhas próprias querências? A resposta a essas questões nortearão um processo íntimo de reflexão cujo resultado é imprevisível, mas que poderá potencializar a verdadeira busca por tudo o que é essencial e transforma, em detrimento do que não é essencial e nada transforma .