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1 de janeiro de 2017 às 08h19

FELICIDADE... Conscientização e Alienação

A crônica de Leonardo Lisbôa

Leonardo Lisbôa

Mais um ano está à porta. Como será? O que será?

Se tudo é uma consequência do que foi, cabe indagar, como foi?

Por isto que o ser humano criou a cronologia: esta sucessão ritualística de datas: marcos, fatos e processos – não é à toa que ele tem complexo divino, se fosse animal simples como os demais, deixaria as coisas fluírem sem se preocupar com quando e o quê foi. Neurose! Tudo é neurose para sentirmos mais dignos.

 

Como foi sabemos - pelo menos aqueles que têm consciência crítica sabem. E tudo é resultado de nossa participação ou abnegação de atribuir poder a quem lidera. Outros preferem acreditar que foram forças divinas, energias positivas, caprichos das divindades – e assim vivem ainda que explorados ou marginalizados pela sociedade que nós mesmos construímos e produzimos.

 

Este ano que passou assistimosretrocessos. Querna potência estrangeira com a eleição de forças reacionárias que propõe a separação de povos e tantas outras coisas que deixaram o mundo boquiaberto.  Quer no cenário brasileiro causando surpresa até aos que foram favoráveis à voltaa períodos pouco democrático.

 

E assim a história se faz com o desempenho de partes do todo humano. Existemlados. Qual é o seu lado da história?

 

Esta crônica foi resultado da opinião que li de Benjamim Abdala Junior sobre o surgimento do estilo literário realismo-naturalismo português ao analisar a obra de Eça de Queirós em O Crime do Padre Amaro*. Ele diz: “A visão crítica do reacionarismo burguês não leva o narrador à perspectiva romântica daqueles que consideravam que o regime político poderia ser derrubado facilmente. Para a transformação social do país, seria necessário muito mais do que simples denúncias literárias, de uma mocidade exaltada.”

 

No presente de um lado a mocidade brasileira saiu à rua em marchas contra as forças reacionáriase a muito não se via manifestações deste calibre contra a tirania. Do outro lado os reacionários bateram as panelas em seus panelaços. E o governo surpreendeu a ambos os lados com suas medidas impopulares...

 

Se obras literárias não são suficientes para mudanças revolucionárias e nem manifestações populares de marchas pró democráticas pergunta-se: O que é necessário então para que os marginalizados da história tenham acesso à cidadania?

 

Há urgência para esta reflexão, porque o lado do obscurantismo já externou sua proposta nefasta: “Escola Sem Partido” – como se fosse possível viver e conviver na Polis sem opinar sobre medidas de interesses coletivos.

 

Que o Ano Novo seja mais Feliz com maior Conscientização de ações e reações e menos Alienação que faz crer que a felicidade é obra do Deus Destino!

 

Leonardo Lisbôa

Barbacena, 28/12/2016.

 

*Queirós, Eça – 1998, Editora Ática, SP, Série Bom Livro.

_ POETAR_
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NOTA DA REDAÇÃO: Leonardo Lisbôa é professor da rede pública de ensino de Minas Gerais. Fez sua especialização em História na UFJF e seu mestrado em psicopedagogia na Universidade de Havana, Cuba. Publica textos também no sítio www.recantodasletras.com.br onde mantém duas escrivaninhas (Perfis): o primeiro utilizando o próprio nome 'Leonardo Lisbôa' e o segundo o de 'Poesia na Adega'.  Registro no CNPq: http://lattes.cnpq.br/0006521238764228