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16 de dezembro de 2016 às 22h57

Ano novo sob dois prismas

A crônica de Ricardo Tollendal

Ricardo Tollendal

1. outro calendário na parede

   virá reger incontáveis insônias

   aflições, alumbramentos e manhãs insuspeitadas

   apenas cesse o estertor da embriaguez

   o espasmo de corpos fortuitos

 

   como de praxe

   os bípedes se excedem

   tanto no tamanho do pileque

   como no foguetório que precede

   o ritual de trocar o calendário

 

   o amanhecer vai reencontrar esta janela

   invadida por habituais ramos de amendoeira

   em suas frestas revelando varandas atulhadas

   por ociosidade e roupa no varal

 

   rotinas serão as mesmas que os homens inventaram

   para fazer possível o cotidiano

   embora inviáveis os sonhos mais delirantes

   - arabescos no espaço para o exercício lúdico

 

   novo ano supõe temporada inédita

   mas permanece reduto requentado

   para nos precatarmos

   contra o que sem dúvida se anuncia:

   bandalheira, farsa, esbulho e gritaria

 

2.  já me vem o calendário de eventos

   com esse papo manjado de ano novo

   invenção de astrônomo

   de matemático e de um papa

 

   como na escola

   mando às favas

   equações de translação

   deduzidas de logaritmo

 

   a natureza só identifica

   um dia depois do outro

   depois do outro

 

                        ALGUNS ROJÕES PARA O ESPETÁCULO PIROTÉCNICO

 

Desde o império, decidiram vestir o Brasil de azul, verde e amarelo. Mas a madeira que dá nome ao país só destila tintura avermelhada. E não me venham com meio termo: cor-de-rosa é a vovozinha.

 

Pelo andar da carruagem, para 2018 só vai sobrar como candidato o impoluto Tiririca. O país

merece.

 

Idades vencidas têm dois destinos: ora são risíveis e, quase sempre, detestáveis.

 

Nossas expectativas culminam no topete de um tal de Trump. Ele representa o que todos sempre desconfiamos: endinheirados costumam ser absolutamente enfadonhos.

 

Nada mais libertador que o sono. Sem ele, somos forçados a preencher o tempo com mil asneiras. Sejamos felinos: de barriga cheia, busquemos um cafofo.