RESUMO
HISTÓRICO DO SURGIMENTO DAS BANDAS DE MÚSICA NO BRASIL
“Desde a Grécia antiga e através do Cristianismo,
até os nossos dias, ficou sempre comprovada essa verdade iniludível
de que a música é um elemento básico e insubstituível
na formação espiritual de um povo. Esse conceito é
a base sustentadora das nossas bandas nos dias de hoje. Amor, dedicação,
união e muita garra, independente das diferenças regionais,
culturais e sociais, são o sustentáculo das nossas bandas
de música, sobretudo das mineiras. Banda é arte, é
folclore, é manifestação popular, é a própria
história da tradição de um povo ”, no dizer
do Maestro Rosildo Beltrão.

Lira Santa Cecília, de Abadia de Pitangui, hoje Martinho
Campos (MG), em foto de 1911
É ainda poderoso instrumento de formação musical
e inclusão social, além de propiciar grandes oportunidades
profissionais e convívio coletivo.
Propicia aos seus integrantes, além do aprendizado musical, a
confraternização e a solidariedade entre seus membros,
desperta o senso artístico, a disciplina e a responsabilidade,
ajudando na formação do caráter de crianças
e jovens. É comum no meio musical a convivência harmoniosa
entre jovens e idosos, independente da formação cultural,
social e profissional, onde cada um dá de si o melhor, criando
um ambiente de alegria e de respeito. Basta observarmos, nos desfiles
e apresentações, a união entre todos, onde não
há discrepâncias ou preconceito.

Banda de música na estação da Estrada de
Ferro Leopoldina, Teixeiras (MG), em 1904
As bandas de música assumiram
dimensões históricas no Brasil a partir do séc.
XVIII, com a multiplicação das irmandades cecilianas –
de Santa Cecília – padroeira dos músicos, às
quais os músicos geralmente se filiavam, mantendo forte vínculo
com as irmandades religiosas.
Em 1808, a chegada de D. João
com a corte portuguesa propiciou mudanças significativas no país,
notadamente, no mundo artístico-musical.
Veio com ele a Banda da Brigada Real que, embora arcaica, serviria de
modelo para as bandas que seriam formadas no novo Império. Em
Decreto de 27 de março de 1810, foi determinada a criação
de um corpo de música em cada regimento, composto de 12 a 16
músicos. Em 1814 espalharam-se pelos quartéis o ensino
e a prática de instrumentos mais atualizados, em substituição
às antigas bandas, ou ternos e quaternos, de tocadores de charamelas,
pífanos, trombetas, caixas e tímbales. Em 1817, determinou-se
aos Batalhões de Infantaria e de Caçadores a organização
de suas bandas de música.
As bandas, inicialmente, tinham como modelo as bandas medievais com
seus uniformes e rígida hierarquia: mestre, contra-mestre, oficial,
aprendiz. Com o passar do tempo, foram se ajustando à realidade
brasileira e perdendo um pouco da rigidez inicial.
As irmandades e corporações de ofícios modelaram
a banda civil, separando-a da tutela do Estado e da Igreja e transformando-a
numa sociedade eminentemente popular. Todavia, constatando a sua importância
social, as classes abastadas da cidade e do campo: fazendeiros, donos
de engenho e donos de fábricas começaram a criar as suas
próprias bandas, colocando-as a seu serviço.

Sociedade Filarmônica e Literária 15 de novembro,
de Remanso(BA), em 1910
Durante o período escravocrata, existiam grupos musicais constituídos
de escravos, criados e sustentados por donos de terras. Muitas fazendas
possuíam suas próprias bandas. A Visconde do Rio Preto,
a do Barão de Vista Alegre, em Valença, e a Banda do Barão
de Guararema, de Além Paraíba, servem como exemplos.
Também nas fábricas surgiram várias bandas operárias.
A Fábrica de Tecidos Bangu, no Rio de Janeiro, teve a sua banda
criada e dirigida pelo mestre-pedreiro José Pedro Andrade, que
foi reconhecida como banda da fábrica Bangu a partir de 1896.
Em Minas Gerais, com a mudança da sociedade e dos hábitos
de vida, com a introdução de novos valores, aos poucos
as bandas perderam seus “patronos”: irmandades, igrejas,
governo, associações, fábricas etc. e ficaram meio
órfãs. Hoje, a maior parte sobrevive com a ajuda da comunidade
e até com recursos dos próprios músicos que não
abrem mão de seu ideal de espalhar a alegria pelas ruas e praças,
marcando sua presença nos acontecimentos cívicos, sociais
e religiosos.
Felizmente, há uma ou duas décadas, o poder público
despertou para a importância das bandas de música como
patrimônio cultural dos mais autênticos e tem investido
na sua preservação, através de doação
de instrumentos musicais e partituras, na preparação de
músicos e maestros e em cursos de reparação e manutenção
de instrumentos.
O que são bandas
de música?
Para responder a essa pergunta, transcrevemos o texto de Rosildo Beltrão:
(Maestro da Fundação Cultural de Varginha.)
“Dá-se o nome de
Banda a um determinado grupo de instrumentistas, de qualquer estilo,
como: Banda de Pífano, Bandas de Rock, Banda de Baile, de Jazz,
Big Band, etc. Banda de música é aquela formada especialmente
pelos instrumentos de percussão e pelos instrumentos de sopro,
a saber:
Percussão: bumbos, surdos, tambores, caixas, pratos e acessórios
rítmicos.
Sopro: flautas, flautins, requinta, clarinetes, saz (alto, ou contralto,
tenor e barítono), trompetes, cornets, flugelhorns, trompas,
saxhorns, barítonos, borbardinos, trombones de vara ou trombones
de chaves, borbardões, tubas ou contra-baixos ou souzafones (Souza,
músico americano, pai do grande compositor John Phillip Souza,
pertencente à Banda da Marinha Americana da Década de
50), responsável pela criação e invenção
do Souzafone, quando resolveu aumentar a camânula da tuba ou bombardão,
dando aquele formato de bacia ou orelhão, acreditanto, assim,
aumentar e direcionar o som para o público, (além, é
claro, de evitar possivelmente uma enchente em dias chuvosos).

Tela de R.Ornellas.1986
O repertório da Banda de Música é constituído
especialmente de marchas militares e dobrados, sendo sua característica
principal apresentar-se em retretas e coretos.
A quantidade de músicos necessários para se formar uma
Banda é livre, porém deve-se observar a proporção
lógica e o senso de equilíbrio sonoro entre os instrumentos,
sendo que, para cada instrumento de percussão deve ter pelo menos
quatro instrumentos de sopro.
Já a fanfarra é um grupo musical formado especialmente
de percussão e instrumentos de sopro lisos, como cornetas, cornetões,
etc. Apresenta ainda a característica coreográfica, como
evoluções, marchas, etc. É especializada em desfiles
cívicos.
A Banda Marcial ( ou Banda de Marcha) é aquela banda que toca
em movimento, com algumas características de fanfarra. Porém,
pode ser formada por todos os instrumentos de percussão, todos
os instrumentos de metais, todos os instrumentos que compõem
a Banda Musical, e ainda todos os instrumentos folclóricos e
regionais como: gaitas de fole, marimbas (liras ou xilofones) pífanos
etc. As Bandas Marciais são especializadas em desfiles comemorativos,
artísticos, religiosos, populares e folclóricos, assim
como possuem também grupos coreográficos, porta bandeiras,
balizas, dançarinos, e outros. Seu repertório principal
são músicas instrumentais ou populares de qualquer estilo,
porém interpretadas em movimento.”
Meninas e meninos, moças e moços, idosos em geral até
hoje se contagiam com a alegria das bandas e a magia da música.
Jovens e velhos se irmanam para ver a banda passar.
Cada um guarda dentro de si lembranças ingênuas de um tempo
inocente, que afloram aos primeiros acordes de um dobrado. E, apesar
de toda a tecnologia do mundo atual, as bandas continuam vivas, despertando
vibração, alegria e pureza no coração da
nossa gente.
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