Museu da Loucura

LCoordenação: Lucimar Pereira
Localização: BR 265, Km 05, s/nº - FHEMIG
Telefone: (32) 3362-6768
Visitação: Diariamente de 08h00 às 19h00

APRESENTAÇÃO

O Museu da Loucura foi inaugurado em 16 de agosto de 1996, através de uma parceria entre a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais – FHEMIG, e a Fundação Municipal de Cultura de Barbacena – FUNDAC. Faz parte do projeto “Memória Viva” e resgata a história da cidade, mantendo em seus locais originais o Núcleo Histórico.
Instalado no torreão do hospital, construído em 1922, é uma importante construção arquitetônica considerada símbolo do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena – CHPB, fato que motivou a escolha do local para abrigar o museu.
O objetivo principal é resgatar a história do primeiro hospital psiquiátrico de Minas Gerais – lendário Hospital Colônia de Barbacena. Oferece um espaço para discussões e reflexões a cerca das atuais diretrizes no campo da saúde mental.
O acervo do museu é composto por textos, fotografias, documentos, equipamentos, objetos e instrumentação cirúrgica que relatam a história do tratamento ao portador de sofrimento mental.
Neste espaço existe também a galeria de arte que oferece oportunidades para exposições de artistas da região e divulgação da grife Pirô Criô, composta por trabalhos manuais e de artesanato feito pelos usuários do hospital.

Enfim, o Museu da Loucura serve de elo entre a instituição e a sociedade e tem expectativa de proporcionar a quebra do estigma contra o portador de sofrimento mental, despertando reflexões sobre as fronteiras entre a loucura e a razão, além de mostrar os equívocos de uma época no tratamento do portador de sofrimento mental.

“Posto assim está, entre revezes.
Dor da dor, dor da angústia, da tragédia do viver, do abandono, esta casa há de dizer do lado terrível, mas também humano.
Testemunho da impossibilidade (ou da possibilidade).
Isolados no solo em gélidas pedras derradeiras, encurralados, feridos, fétidos, no ermo sem fim das madrugadas, na noturna solidão dos tempos esses irmãos nos tecem sua face, seu canto, o grito, a vida.
E no silêncio das auroras nos condoem na tristeza do seu olhar.
Fundo, abissal na desumanidade, na desolação profunda.
E irreversível.
Meritória hora, essa, que resgatam-se fragmentos desse universo condoído.
Para que dele saibamos um pouco, ao menos.
E que a todos nos possamos dizer – nos ensinar e comover – que ele existiu um dia, que seres ali viveram olharam parcos e vagos nos vazios e, que sabe, se entreolharem doces e puros mesmo nas trevas e nas desesperanças.
Carlos Bracher
1996

Museu Georges Bernanos

Coordenação:
Localização: Rua: Cel. Cipriano Rodrigues Miranda, s/nº - Bairro: Vilela
Telefone: (32) 3332- 2047
Visitação: Quarta-Feira a Sábado de 13h00 às 17h00 / Domingo de 09h00 às 13h00

APRESENTAÇÃO

Criado em 17 de agosto de 1968, o Museu George Bernanos compreende um conjunto arquitetônico e área livre de aproximadamente 1.500m² . Entre os três prédios, que juntos formam a Casa de Bernanos, está um acervo que compreende objetos pessoais, mobiliários, livros, fotografias, etc. O museu abriga também o Centro Artístico Cultural “George Bernanos”, onde são oferecidos diversos cursos à sociedade.

George Bernanos

Nascido em Paris em 20 de fevereiro de 1888, George Bernanos participou intensamente da vida política de seu país: foi soldado de trincheira na Primeira Guerra Mundial e repórter na Guerra Civil Espanhola.

Em 1917, casou-se com Jeanne Talbert d’Arc, descendente em linha direta de um irmão de Joana d’Arc. Georges e Jeanne tiveram seus seis filhos entre 1918 e 1933: Chantal, Yves, Claude, Michel, Dominique e Jean-Loup.

Estreou na literatura em 1922 com o romance “Madame Dargente”. A partir do sucesso de “Sob o céu de Satã” (1926) abandonou o emprego de advogado e passou a viver exclusivamente de seus livros e artigos.

Em 1934, atormentado por dificuldades financeiras, transferiu-se com a mulher e seis filhos para a Espanha, onde escreveu “Diário de um pároco de aldeia” (1936), considerado pela crítica como “um dos monumentos da literatura católica de nosso século”.

Em 1937, Bernanos volta para a França por não suportar a difusão dos regimes totalitários na Europa. Parte depois para o Paraguai e, finalmente, para o Brasil.

O Destino

Seu filho Jean-Loup relembra que “o destino não era o Brasil e sim o Paraguai. Desde meninos que meu pai e seus colegas de colégio sonhavam com este país. Eles planejavam desde cedo, mudar-se para Assunção, onde pretendiam instalar-se numa fazenda e criar gado. O Paraguai era um país muito romântico para os jovens franceses dos anos 30. Ainda estudante, ele organizou a primeira viagem com seus colegas, mas infelizmente não pôde partir. Só mais tarde, depois de casado e com filhos, é que teve condições de realizar seus sonho. Tomamos um barco rumo à América do Sul, onde Bernanos queria tornar-se criador de gado e continuar escrevendo”.

Bernanos morou inicialmente no Rio, na praia de Botafogo.

“... foi aqui na Cruz das Almas, de Barbacena, que Georges Bernanos residiu de 1940 a 1944. O nome de Cruz das Almas é conhecido de todos os franceses, sendo “Le Chemin de la Croix-des-Âmes” (O Caminho da Cruz das Almas), um dos maiores livros de Bernanos. A inspiração espiritual da resistência, segundo a palavra de Albert Béguin, no momento em que nosso país estava oprimido, fez ouvir aqui a voz da França Livre pelos órgãos dos Diários Associados de Assis Chateaubriand e Austregésilo de Athayde. Ele escreveu ou terminou em Barbacena duas outras obras-primas: à “Lettre aux Anglais” (Carta aos Ingleses), cujo prefácio é a mais bela homenagem que um francês teria prestado ao Brasil e “Monsieur Ouine” (Senhor Ouine), romance onírico como dizia seu amigo Jorge de Lima, protótipo do novo romance, como diríamos hoje”. (Discurso do Embaixador da França, Jean-Claude Binoche, pronunciado em Barbacena, quando da inauguração do Museu Georges Bernanos, a 17 de agosto de 1968).

Bernanos ligou-se profundamente à vida brasileira, lia com perfeição o português e “devorou” nossa literatura. Fez o prefácio do livro “Poemas”, de Jorge de Lima (1939). Dois de seus romances foram objetos de excelentes traduções: “Sob o Sol de Satã” (tradução de Jorge de Lima) e “Diário de um pároco de aldeia” (tradução de Edgar Mata-Machado).

O escritor Geraldo França de Lima, que conheceu o escritor numa tarde bem fria de julho, num banco do jardim de Barbacena, conta:

“... Ele procurava um pouso: não queria sentir-se um exilado: queria um lar, queria sentir-se em casa. Precisava, para tanto, de fixar-se, estabelecer-se. Aspirava a uma fazendinha: “un petit coin, qui soit mon foyer, pour y cuver ma honte”.
A vergonha era deserção da França, a sua ausência do campo da luta. Bernanos estava indeciso entre Juiz de Fora, Barbacena e Itaipava. Urgia decidir-se: tinha muita coisa para fazer! Cabia-lhe erguer-se sozinho, no Brasil, para manter de pé o prestígio da cultura francesa.

Bernanos deixou o Brasil, a chamado de De Gaulle em junho de 1945. Três de seus filhos estavam fadados a se estabelecerem aqui. Quanto a ele, jamais voltaria, embora tivesse manifestado várias vezes, particularmente antes de sua morte, ocorrida a 05 de julho de 1948, a saudade que guardava dessa terra de amizade, hospitalidade e esperança.

Na França, manifestou o grande amor ao Brasil com as seguintes palavras: “Eu amei o Brasil por muitas razões, mas principalmente, e antes de tudo, porque eu nasci para amá-lo”.

Em artigo publicado no jornal Estado de São Paulo, de 20 de fevereiro de 1988, Antônio Carlos Villaça escreve:

“Ouso afirmar que Bernanos foi feliz no Brasil, apesar da guerra, apesar das lutas, apesar da falta de dinheiro, apesar de todas as dificuldades, vicissitudes, surpresas, a tuberculose de um filho, a solidão de Pirapora, a solidão de Barbacena. Os artigos de guerra recolheram-se nos volumes de Le Chemin de la Croix des Âmes, livro tão brasileiro”.

Na volta à França recusou o cargo de Ministro da Educação e, pela terceira vez, recusou a Légion d’honneur, a mais importante comenda francesa. Deixando a França, foi morar na Tunísia, onde escreveu o Diálogo das Carmelitas, sua última meditação sobre a angústia e a morte. Retornou da Tunísia em maio de 1948, muito doente, e morreu em Paris no dia 05 de julho.

Seu pedido para que a sua casa da Cruz das Almas perpetuasse sua presença em Barbacena foi atendido quando, em agosto de 1968, o governador Israel Pinheiro inaugurou o Museu Georges Bernanos.


Museu Casa de Marcier

Coordenação: Charles Rezende Cruz
Localização: Estrada do Faria, s/nº - Bairro – Monte Mário
Telefone: (32) 3339-2167
Visitação: Quarta-Feira a Domingo de 13h00 às 18h00

APRESENTAÇÃO

O Museu Casa de Marcier compreende um complexo museológico e paisagístico com 90.000 m², oferecendo ao visitante a oportunidade de conhecer a casa e as obras deixadas por um dos maiores pintores sacros do século XX. Ao todo, 12 afrescos e esboços, além de objetos pessoais e obras, ilustram o talento do pintor romeno que escolheu o Brasil como pátria e Barbacena como seu refúgio. Descobriu a paisagem colonial mineira a partir de 1942, quando ilustrou uma histórica reportagem da revista “O Cruzeiro”. Sua pintura sacra, influenciada pela tradição do leste europeu, é uma releitura moderna de ícones bizantinos e reminiscências da cultura religiosa da Romênia.

“Para mim o branco da tela é o Espírito Santo”
Emeric Marcier

O Parque Emeric Marcier, adaptação paisagística do sítio Sant’Anna, onde o artista viveu com sua família por 50 anos, é dotado de áreas de convivência, trilhas para caminhadas e todas as condições para oferecer aos visitantes momentos de contato com a natureza, com a reflexão e a arte.

“Tenho raízes em Barbacena. Talvez por causa de milhares de árvores que plantei aqui”.
Emeric Marcier

Vida de Emeric Marcier

Nascido na Romênia, formado pela Academia de Brera, de Milão, cidadão do mundo, Emeric Racz Marcier (1916 – 1990) encontrou seu habitat em Barbacena, onde descobriu seu ninho, entre os últimos contrafortes da Mantiqueira. Abençoava os ventos que vinham das montanhas, o clima que lhe era familiar, cheirando infância.

Pôs sua arte a serviço de sua aspiração religiosa, desvendou em suas pinceladas os arcanos do sagrado, ressuscitou uma arte de fonte mais que ilustre, da áurea Idade Média de Piero della Francesca, de Giotto e tantos outros.
Geraldo Magalhães

“Quantas vezes trabalhando em meu atelier de Paris fiquei quase transportado em espírito ao atelier de Barbacena, que não resistiu a intempéries”
Emeric Marcier

Fonte: Fundac