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VIA SACRA ( paróquia do Divino- Capela de São Benedito)

Esta Via Sacra foi executada por Maria Eugenia Tollendal, sem nenhuma pretensão artística e sim movida pelos sentimentos descritos na contemplação das estações. Para confeccioná-la, foram usadas argilas Terracota para a base e a Faiança para as figuras. A intenção é, através dela, aumentar a reflexão sobre a missão de cada um de nós na construção de uma sociedade sonhada por Jesus. A Páscoa significa que a grande revolução feita no mundo por Deus começou com Jesus, mas não acontecerá sem nós.

1ª Estação:
Assistimos ao julgamento de um injustiçado que escuta sem defesa sua sentença frente ao S.P.Q.R ( Senatos Populis quae Romanos). Jesus nasceu na Palestina ocupada pelos romanos, sendo, portanto, judeu e palestino. Ele pregava um novo reino e os seus opositores temiam que fossem destronados e se sentiam ameaçados. Só que seu reino era no céu e não deste mundo, e os poderosos eram gentios.
A compaixão e o Amor são absolutamente centrais na mensagem e na vida de Jesus e por isto, Ele é condenado. Condenado à morte de cruz.

2ª Estação:
Jesus não só recebe a cruz, mas Ele a abraça, abraçando assim, sua missão. A cruz era usada pelos romanos como instrumento de suplício mortal para os escravos rebeldes. Seu ideal de construir um novo reino de justiça, de não violência, de fraternidade e de paz, contraria as leis e subverte a ordem então existente.

3ª Estação:
Foram tantos os maus tratos de todas as naturezas ( físicos, morais e emocionais) que O fizeram sucumbir sob peso da cruz, perde o equilíbrio , pois também era empurrado pelos soldados, e cai. Porém resistiu ao desanimo e as dores e, seguiu, ainda que fragilizado.

4ª Estação:
Como prisioneiro, encontra sua Mãe, que ano o abandonou nunca e O seguiu, O acompanhou e O apoiou sempre. Trocam apenas um olhar, mas ela é a única que o compreende, que acredita e sabe que Ele é inocente, é justo e cumpre sua missão.

5ª Estação:
Só no momento de total aniquilação é que se pode compreender o valor da solidariedade. Jesus é auxiliado por Simão, natural da cidade de Cirene, que teve o privilégio de ajudar o Salvador. Saber servir com gratuidade e com compaixão, sobretudo aos que mais necessitam , é a grande lição desta estação.

6ª Estação:
Além das dores físicas e morais provocadas pelas injustiças, Jesus sofre também pela decepção se vendo abandonado pelos amigos. Suas forças diminuem a tal ponto que seu andar é cambaleante e, tropeçando cai mais uma vez, tentando ainda sustentar a cruz.

8ª Estação:
É própria das mulheres a coragem de expressar e externar seus sentimentos. Muitas das que ouviram suas pregações e presenciaram seus milagres e seus atos de bondade O seguem chorando por vê-lo tão desfigurado e machucado. Ele apesar de todo seu sofrimento as consola e lhes diz: “não choreis por mim, mas por vós e vossos filhos”. Os séculos se passaram e, quantas mulheres seguem chorando por tantos filhos que se desviaram do caminho da salvação.

9ª Estação:
O caminho é poeirento, pedregoso, íngreme e as forças que já lhe faltavam fazem que cambaleie, tropece e caia mais uma vez com tanta violência que toca o chão com sua santíssima boca e fica estendido sob a cruz. Porém, não ficou estirado ao chão, ergueu-se e ensinou a todos que é sempre possível levantar.

10ª Estação:
Conseguem feri-lo mais ainda em sua dignidade, deixando-O nu. Já todo contorcido pelas bofetadas, chutes e empurrões que lhe causaram muitas dores, somadas as injustiças e humilhações, lhe despem, provocando mais sangramento nas feridas já aderidas á túnica que lhe é rispidamente arrancada.

11ª Estação:
Pregado à cruz, suas mãos e pés são rasgados pelos grossos pregos. Os pulmões se comprimem e a asfixia que o sufoca é inevitável. A coroa de espinhos é mais cruelmente empurrada em sua cabeça e uma tabuleta com os dizeres de sua condenação é pregada no topo da cruz: “ Jesus Nazareno Rei dos Judeus”. Entretanto, Jesus ainda que crucificado, governa o mundo.

12ª Estação:
Seu ideal de construir um mundo novo, sem egoísmos e violência, com mais igualdade e fraterno, é contrário aos poderes dominantes e se confronta com as autoridades, por isso o levaram a morrer na cruz. Lancetado, saciam sua sede com vinagre e fel, e então, espira. Viveu pela justiça e morreu devido a injustiça.

13ª Estação:
Jesus dava as mulheres uma identidade e uma posição que elas nunca tiveram dentro da cultura convencional da época. Até nisso ele subverteu a ordem vigente e no clímax da Paixão, é Maria que está presente e O recebe em seus braços, braços de Mãe Piedosa.

14ª Estação:
Jesus foi ladrado num sepulcro, mas o túmulo não pôde conte-lo. Suas palavras ecoam pelos séculos, testemunhando que Ele pregava contra o egoísmo e a injustiça que caminham juntos. A pedra foi rolada para longe, pois Ele é uma figura do presente e não simplesmente do passado. Precisamos de transformação pessoal e política, tendo-O como exemplo e como Senhor e Salvador.

15ª Estação:
Mais uma vez são as mulheres que vem embalsamá-lo e ungi-lo com óleos e aloés. Mas Jesus não está entre os mortos e sim entre os vivos. O significado da ressurreição é ver a injustiça como problema humano e a injustiça de Deus como salvação da humanidade. Ele ressuscitou, aleluia, aleluia!1

16ª Estação:
Maria, mãe da Vida, que protegeu e acompanhou seu Filho, da gestação a ressurreição, é a co-redentora do gênero humano e deve ser aclamada por todos nós como “ Nossa Senhora da Ressurreição”.

 

 

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