Cursou o primário
no “Grupo Escolar Adelaide Bias Fortes”,
mostrando desde cedo sua inclinação para
as “letras”. Gostava de ler, abominava os
números. Sempre foi muito organizado e cioso
de suas coisas. Postura e atitudes de liderança
lhe eram inerentes. Organizava e dirigia uma grande
turma de amigos nos folguedos da “rua de trás”
que era o cognome da Rua Olinto Magalhães, fundos
da casa de seus pais.
Fez o curso secundário no “Soares
Ferreira” onde mais se destacou nas “letras”.
Paralelamente, organizou um grupo de escoteiros exigindo
o fiel cumprimento dos princípios de Baden Powell.
Não foi bom nos esportes, mas adorava acampamentos
e contato com a natureza. Terminado o curso colegial
transferiu-se para o Rio, vencendo com facilidade o
vestibular para Direito e Filosofia, mas por sua inquietude
não terminou os cursos. Estávamos na fase
dos “hippies” e dos movimentos pró-democratização.
Incluindo nessas doutrinas, cabelos longos, roupas esdrúxulas,
passou por maus momentos com a repressão antidemocrática.
Como “castigo” pelas prisões sofridas,
inclusão em “listas negras” da subversão,
seus pais o mandaram, com seu irmão Eduardo,
para um período pela Europa onde, encontrando-se
com seu amigo Jorge Marcier aproveitou das boas coisas
de Paris, Londres e Itália. Ao retornar escapuliu-se
para outros países menos significativos da América
do Sul, como se fosse um cigano em suas andanças.
Morava no Rio com a “Vó Dag” e a
seguir com a companhia do irmão Eduardo (hoje
Doutor em Literatura Brasileiro e professor da Universidade
Federal de Uberaba) dedicaram-se muito à literatura
e ao estudo do português. Lecionou em vários
colégios para reforçar seu “orçamento”
e teve ímpetos de independência e naturalismo.
Experimentou a moradia solitária no bairro Santa
Tereza e depois no sítio “Ingatuoca”
aqui, no distrito de Correia de Almeida.
Em tempo, viu que a vida não era por aí,
voltou ao Rio, fez concurso para o Tribunal do Trabalho
onde, hoje, já está em vésperas
de aposentar-se.
Acrescentou à vocação literária
o interesse por artes pictóricas, tornando-se
um bom aquarelista. Nesse ínterim, casou-se e
teve um filho, Marcelo, que é um primoroso desenhista.
Nos arroubos literários escreveu os livros “Nos
confins de fuzarca e retreta” e “Manoel
Bandeira, poeta de alma inteira” entre outros
artigos para jornais e ultimamente colabora com crônicas
para o Barbacena On Line.
Embora se diga um apaixonado pela “Lapa”
e pelos sebos no centro do “Rio Antigo”,
sente-se que sua maior paixão é Barbacena.
Como, inteligentemente, se deve fugir das grandes e
dominantes paixões, só vem em breves fugas
para comemorar algumas datas marcantes junto à
família.
Pelo seu jeitão é chamado na família
de Ricardo Vendaval!
J.T.Tollendal |