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Barbacena, eu me lembro...

ARTHUR BERNARDES
Editoria Cidade - 30/06 - 15h43

Das famigeradas “horas de arte”, quando nós, as crianças, éramos obrigadas a participar de reuniões familiares noturnas, denominadas “serões” ou “saraus”, geralmente às quartas-feiras. Além de tomarmos um intragável chá de erva doce ou erva cidreira, com rosquinhas de maisena, tínhamos que passar pelo suplicio de assistir uma donzela pudica, do grupo das “prendadas”, também conhecidas no jargão da época como “moçoilas casadoiras” (recitavam, bordavam, faziam tricô e crochê), declamar sonetos, gesticulando, arfando e revirando afetadamente os olhinhos. Ou, o que era pior, na falta de uma declamação ou uma cantilena qualquer, ter que ouvir, pelo rádio, no mais absoluto silêncio, “o piano de Carolina Cardoso de Menezes”, nos estuprando pelos ouvidos, com abomináveis melodias sacras.

O chamado da rua chegava tentador, irresistível, quase sempre através do assobio agudo de outro menino, e nós ali, “compenetrados”, aguardando o fim do infame soneto, do tipo “A vingança da porta” (a mulher como louca e a filha morta...), torcendo para que fosse o último ou então que a donzela arfante desmaiasse por falta de ar ou, melhor ainda, que o rádio (o velho valvulado, conhecido como “rabo quente”) queimasse. Como última esperança restava a possibilidade da luz elétrica apagar, ocorrência muito comum naquela época. Entretanto, para azar nosso, nunca acontecia às quartas-feiras.

Assim, ficávamos sem uma saída, uma rota de fuga daquele purgatório, vestíbulo do inferno, tornando-se impossível encontrar a turma e partir para a folia nas ruas, praças e jardins.

Barbacena, eu me lembro: como eram longas, cansativas e enjoadas aquelas intermináveis noites de quartas-feiras...

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... das Caminhadas do Santo Antônio, onde a equipe do "CRAZY SOUND” participava também com a sonorização, ficávamos o dia inteiro, ao cair da noite, as lanternas vinham iluminando o retorno de um domingo maravilhoso que se encerrava na igreja do Santo Antônio na missa das 19h.
(Ismael Assis – Diadema/SP)


... dos "Programas de Auditório do Barbosa", todas as manhãs de domingo no Cine Apolo, com "transmissão exclusiva pela Rádio Barbacena".
(Mário Sérgio Esteves - Rio de Janeiro)


Do comunicador de rádio Nélson Silva, o "Batatinha", com o programa "Alvorada na Roça" que, afinal, é um dos inspiradores do programa que faço há 18 anos, na Sucesso FM, o "Bom Dia Zé", com "Zé Rural".
(Tarcísio Santos)


... das festas juninas do Amilcar Savassi. Do encontro dos alunos do Aplicação e do Promove depois das aulas, em frente ao Bel Lanches. Do professor Severino, do Aplicação... e do medo que as crianças tinham da "Maria Tatu".
(Érika Pfaltzgraff)


... das crianças, inclusive as minhas, patinando no piso de ladrilhos do Jardim do Globo, em frente à nossa casa, em cima do sobrado onde funcionava o Banco de Crédito Real, de que meu marido foi gerente por dez anos. Tudo sob a minha vista, para evitar as briguinhas da criançada. Dos tombos, nem é bom falar.
(Natalina Jardim Bronzo de Almeida - Belo Horizonte/MG)


... dos desfiles do 7 de setembro. Eu, aluna do Tiradentes, devidamente fardada ou "paramentada" de baliza, puxava a bandinha do Colégio, ainda recente na cidade. Diante da grandeza da Fanfarra do Estadual e da elegância das meninas do Imaculada, o Tiradentes dava os seus primeiros passos pelas ruas de Barbacena.
(Déia Linda - Governador Valadares/MG)


... das manhãs geladas e a garotada de uniforme cinza indo pro Colégio Estadual.
(Marcio Paulo Moreira - Porto Alegre – RS)


... do meu primeiro filme no cinema: “A Famosa Fábrica de chocolate”, que assisti num cine que havia no Pontilhão, não me lembro o nome, mas o lugar e a experiência...
(Anderson Rezende)


... de andar, correr e "bater pique" de patins na Praça do Globo e região e, na volta pra casa, descer desenfreado a ladeira da cadeia e ir embalado até a Igreja de São Geraldo.
(Leonardo Pereira Mazziotti)


... de, em alguns carnavais, jovens da ala biista postados em frente ao Solar dos Andradas, a uma distância estratégica, cantarem provocantes: “Que rei sou eu, sem reinado, sem coroa, sem castelo, sem rainha, afinal que rei sou eu; o meu reinado é pequeno e é restrito, só mando no meu distrito, porque o rei de lá morreu”. A resposta vinha de imediato, através de alto-falantes nas sacadas do Solar: “Fala, fala , fala tagarela, que eu vou fingindo que não é comigo; fala, que não dou trela, fala tagarela, que eu nem te ligo”. Parece que foi daí que nasceu o bloco “Nem te ligo”, que fez furor em vários carnavais.
(Newton Siqueira de Araújo Lima)


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NOTA DA REDAÇÃO:
Barbacena, eu me lembro... será publicado todas as quintas-feiras no Portal de Notícias Barbacena On Line. Mande sua colaboração para ricardo@barbacenaonline.com.br.




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