| Das famigeradas “horas de arte”, quando
nós, as crianças, éramos obrigadas
a participar de reuniões familiares noturnas,
denominadas “serões” ou “saraus”,
geralmente às quartas-feiras. Além de
tomarmos um intragável chá de erva doce
ou erva cidreira, com rosquinhas de maisena, tínhamos
que passar pelo suplicio de assistir uma donzela pudica,
do grupo das “prendadas”, também
conhecidas no jargão da época como “moçoilas
casadoiras” (recitavam, bordavam, faziam tricô
e crochê), declamar sonetos, gesticulando, arfando
e revirando afetadamente os olhinhos. Ou, o que era
pior, na falta de uma declamação ou uma
cantilena qualquer, ter que ouvir, pelo rádio,
no mais absoluto silêncio, “o piano de Carolina
Cardoso de Menezes”, nos estuprando pelos ouvidos,
com abomináveis melodias sacras.
O chamado da rua chegava tentador, irresistível,
quase sempre através do assobio agudo de outro
menino, e nós ali, “compenetrados”,
aguardando o fim do infame soneto, do tipo “A
vingança da porta” (a mulher como louca
e a filha morta...), torcendo para que fosse o último
ou então que a donzela arfante desmaiasse por
falta de ar ou, melhor ainda, que o rádio (o
velho valvulado, conhecido como “rabo quente”)
queimasse. Como última esperança restava
a possibilidade da luz elétrica apagar, ocorrência
muito comum naquela época. Entretanto, para azar
nosso, nunca acontecia às quartas-feiras.
Assim, ficávamos sem uma saída, uma rota
de fuga daquele purgatório, vestíbulo
do inferno, tornando-se impossível encontrar
a turma e partir para a folia nas ruas, praças
e jardins.
Barbacena, eu me lembro: como eram longas, cansativas
e enjoadas aquelas intermináveis noites de quartas-feiras...
Mande também a sua colaboração
para o e-mail ricardo@barbacenaonline.com.br.
| 
... das Caminhadas do Santo Antônio, onde
a equipe do "CRAZY SOUND” participava
também com a sonorização,
ficávamos o dia inteiro, ao cair da noite,
as lanternas vinham iluminando o retorno de um
domingo maravilhoso que se encerrava na igreja
do Santo Antônio na missa das 19h.
(Ismael Assis – Diadema/SP)

... dos "Programas de Auditório do
Barbosa", todas as manhãs de domingo
no Cine Apolo, com "transmissão exclusiva
pela Rádio Barbacena".
(Mário Sérgio Esteves - Rio de Janeiro)

Do comunicador de rádio Nélson Silva,
o "Batatinha", com o programa "Alvorada
na Roça" que, afinal, é um
dos inspiradores do programa que faço há
18 anos, na Sucesso FM, o "Bom Dia Zé",
com "Zé Rural".
(Tarcísio Santos)

... das festas juninas do Amilcar Savassi. Do
encontro dos alunos do Aplicação
e do Promove depois das aulas, em frente ao Bel
Lanches. Do professor Severino, do Aplicação...
e do medo que as crianças tinham da "Maria
Tatu".
(Érika Pfaltzgraff)

... das crianças, inclusive as minhas,
patinando no piso de ladrilhos do Jardim do Globo,
em frente à nossa casa, em cima do sobrado
onde funcionava o Banco de Crédito Real,
de que meu marido foi gerente por dez anos. Tudo
sob a minha vista, para evitar as briguinhas da
criançada. Dos tombos, nem é bom
falar.
(Natalina Jardim Bronzo de Almeida - Belo Horizonte/MG)

... dos desfiles do 7 de setembro. Eu, aluna do
Tiradentes, devidamente fardada ou "paramentada"
de baliza, puxava a bandinha do Colégio,
ainda recente na cidade. Diante da grandeza da
Fanfarra do Estadual e da elegância das
meninas do Imaculada, o Tiradentes dava os seus
primeiros passos pelas ruas de Barbacena.
(Déia Linda - Governador Valadares/MG)

... das manhãs geladas e a garotada de
uniforme cinza indo pro Colégio Estadual.
(Marcio Paulo Moreira - Porto Alegre – RS)

... do meu primeiro filme no cinema: “A
Famosa Fábrica de chocolate”, que
assisti num cine que havia no Pontilhão,
não me lembro o nome, mas o lugar e a experiência...
(Anderson Rezende)

... de andar, correr e "bater pique"
de patins na Praça do Globo e região
e, na volta pra casa, descer desenfreado a ladeira
da cadeia e ir embalado até a Igreja de
São Geraldo.
(Leonardo Pereira Mazziotti)

... de, em alguns carnavais, jovens da ala biista
postados em frente ao Solar dos Andradas, a uma
distância estratégica, cantarem provocantes:
“Que rei sou eu, sem reinado, sem coroa,
sem castelo, sem rainha, afinal que rei sou eu;
o meu reinado é pequeno e é restrito,
só mando no meu distrito, porque o rei
de lá morreu”. A resposta vinha de
imediato, através de alto-falantes nas
sacadas do Solar: “Fala, fala , fala tagarela,
que eu vou fingindo que não é comigo;
fala, que não dou trela, fala tagarela,
que eu nem te ligo”. Parece que foi daí
que nasceu o bloco “Nem te ligo”,
que fez furor em vários carnavais.
(Newton Siqueira de Araújo Lima)
|
| |
 |
Barbacena, eu
me lembro... 22/06
- 16h38 |
 |
Barbacena, eu
me lembro... 16/06
- 16h38 |
 |
Barbacena, eu
me lembro... 08/06
- 20h44 |
 |
Barbacena, eu
me lembro... 01/06
- 15h13 |
|
Barbacena,
eu me lembro... 25/05
- 16h18 |
 |
Barbacena, eu
me lembro... 11/05
- 15h23 |
 |
Barbacena, eu
me lembro... 04/05
- 12h02 |
 |
Barbacena, eu
me lembro... 27/04
- 14h50 |
 |
Barbacena, eu
me lembro... 20/04
- 15h28 |
 |
Barbacena, eu
me lembro... 06/04
- 15h37 |
 |
Barbacena, eu
me lembro... 30/03
- 16h25 |
 |
Barbacena, eu
me lembro... 23/03
- 16h00 |
 |
Barbacena, eu
me lembro... 16/03
- 15h37 |
 |
Barbacena, eu
me lembro... 13/03
- 10h40 |
| |
|
NOTA DA REDAÇÃO:
Barbacena, eu me lembro... será publicado todas
as quintas-feiras no Portal de Notícias Barbacena
On Line. Mande sua colaboração para ricardo@barbacenaonline.com.br. |