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Barbacena, eu me lembro...

RICARDO TOLLENDAL
Editoria Cidade - 27/04 - 14h50

Eu me lembro que, de meados dos 50 ao início dos 60, havia em Barbacena uma numerosa galeria de tipos populares. Alguns eram vítimas dos sabaquás que faziam chacota. Outros, por não dar trela ou pela força física, nunca eram molestados. Botina era um negro forte que vendia dobradinha. Sempre descalço e de calças arregaçadas, berrava numa esquina e se ouvia cem metros adiante. Telmo vendia caquis acomodados num balaio. Era alto, corpulento, grisalho e poeta. Declamava defronte à estatua de Bias Fortes. Ercília, mulher forte e decidida, falava alto o que lhe desse na veneta e fazia faxinas. Teve um filho – cuja paternidade era atribuída ao Telmo – e ela o transportava numa carrocinha acolchoada, puxada por cabritos. Izabelinha foi moça prendada. Tocava piano e falava francês. Musa dos alunos da EPCAR, ela os designava por ‘meus lindos passarinhos azuis’. Candim Lelê era temido. Toda tarde descia a Avenida Bias Fortes, empunhando uma foice e arrastando descomunal moita de capim. Tanto temor infundia que não tenho certeza se usava uma longa barba. ‘Seo’ Camilo, barbudo, envergava uma capa de xantungue tanto no inverno como no verão. Fosse dia chuvoso ou ensolarado. Quando a Caixa Econômica abria as portas, sacava cinco cruzeiros e, ao fim do expediente, tornava a depositá-los. A Grila catava papel nos caixotes de lixo. Estava sempre com o rosto coberto de ruge, sobrancelhas riscadas a lápis e batom na boca. Era digna de filme de Fellini. Madalena tinha pés de pato, daí o apelido de Pé-Espalhado. Trazia sempre nas mãos uma revista enrolada e reagia a quem a insultasse. Nicolau Sete-Cuecas tinha fama de tarado. Ostentava uma nariganga arroxeada, andava curvado e dizia impropérios intraduzíveis. Por isso, quando hoje não querem que se fale em terra de doido, ponho minhas barbas de molho.

Mande também a sua colaboração para o e-mail ricardo@barbacenaonline.com.br.


Barbacena, eu me lembro ...
... do bloco Caninha Verde, que saía da Rua José Bonifácio em direção ao centro da cidade, nos carnavais passados. Seu grito de guerra: “A minha caninha verde já chegou de Portugal, vamos todos, minha gente, festejar o carnaval!”
(Newton Siqueira de Araújo Lima)


... da Papelaria "A Miscelânea" com as vitrines cheias de carrinhos "Match Box" e caixas de "Revell".
(Demilson Vigiano)


.... do Botina. Foi um tempo de susto na minha infância. Ele chegava silencioso, pés descalços, o peso da carne no ombro, cabeça raspada e uma voz possante que parecia soltar toda quando menos se esperava: "Olha a drobadinha!" Que salto! E ele achava graça. Grande figura o Botina.
(Vera Coimbra)


... da Igreja do Rosário, do Grupo Sétimo Degrau, numa alusão ao último degrau da escadaria da Igreja. Eu me lembro da “Lei Bicáurea”, uma paródia do Sétimo Degrau apresentada no palco do Colégio Estadual e aplaudida de pé pelos alunos.
(Ricardo Salim)


... de quando reuníamos "a turma da Boa Morte" à noite, e cada um brandia um bambu cortado no bambual de minha casa, para matar morcegos e ao amanhecer, com cara de anjinhos ficávamos rindo da polícia que, intrigada, queria saber de onde surgira tanto morcego morto. Eles vinham das torres da Igreja de Nª Sraª da Boa Morte, atraídos pelo "zum-zum" das taquaras...
(Arthur Bernardes)


... da rivalidade que havia entre os rapazes da cidade e alunos da EPCAR, lembro que em um 09 de junho, aniversário do meu irmão, estávamos comemorando com a turma dele, quando soubemos que estava tendo a maior briga na Rua XV. Naquela época morávamos na Rua Cel Teófilo, onde hoje é o Plaza Shopping, lá de casa ouvíamos a turma do deixa disto gritar na Rua XV.
(Stela Miranda)


... do "celeiro´s bar" na descida da Pereira Teixeira, onde aconteciam
paqueras, bom papo, todo "mundo" se conhecia, nem que fosse de vista!
(Maria Angélica Moreira Carvalho)


... do misto-quente e do milk-shake no Sovon's no domingo à tardinha.
(João Bosco Curi)


... do Grupo de Jovens EMAÚS. O Danilo cantando Creio em Ti. Encontro de Jovens na Borda do Campo.
(Lígia Márcia G. Lima)


... da esquina do Éguas Bar, do seu Jorge pipoqueiro... de trocar gibis, trocar figurinhas e bater “bafo” em frente aos Cines Pálace e Orfeu... me lembro da A Brasileira com Izabelinha, seguida de seus cães ( “moços e moças bonitas, querem cooperar com os pobres!?)... Barbacena eu me lembro da rodoviária velha... do Django que sai em seu cavalo imaginário dando tiros imaginários e correndo pelo centro... Barbacena eu me lembro do Telmo (tomates da Fazenda do Roberto Carlos) ... do Botina (oh, minha madrinha, “olha o xoriço do Botina); da Ercilia (só caqui que é gostoso; Barbacena eu me lembro daquele Sr em sua cadeira de rodas em frente a Casa dos Tollendal, vendendo bilhetes de loteria... me lembro do “espirro” (olha a sorte... tem vaca, galo, porco... viado...) ... me lembro do Zé Barba e do Seis Dedinhos... do Genoca batendo colheres... me lembro do Sovon’s, do Tio Patinhas... do Sarcófago... me lembro dos Programascope (de meu saudoso pai, Barbosa Silva)... me lembro de quando os campos de futebol ficavam lotados ( Olimpic X Vila.. que loucura..).... Barbacena, eu me lembro jovens, tardes de domingo... sábado à noite... rock and roll... rock é rock mesmo no Cine Palace.... é tanta coisa que nem me lembro mais .....Barbacena ....
(Rogério Barbosa)


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NOTA DA REDAÇÃO:
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