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Barbacena, eu me lembro...

ARTHUR BERNARDES
Editoria Cidade - 20/10 - 13h59

De outro personagem que marcou a época em que viveu.

Foi lá por fins da década de 50 e início dos anos 60 do século passado.

Chamava-se Antonio e era conhecido por Totonho. Homossexual assumido, numa época em que a homossexualidade era anátema social, Totonho saia pelas ruas com trejeitos, requebrados e gritinhos que provocavam risos nos homens, gestos e olhares de reprovação nas senhoras mais pudicas e conservadoras.

Para o alegre Totonho, entretanto, todo dia era dia de festa, mas sua data magna era mesmo o carnaval, quando então se transformava, mostrando seu “verdadeiro ego”: vestia-se de mulher, transmudando-se naquilo que hoje é conhecido como “drag-queen”. Encarnava sua verdadeira identidade e passava a ser “GILDA”.

Como “GILDA”, sua alegria, naturalidade e irreverência provocavam e divertiam a todos pelas ruas da cidade, notadamente a Rua Quinze, engalanada para os festejos de Momo.
Católico fervoroso, Totonho freqüentava assiduamente a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte; não perdia uma missa sequer e ainda participava delas, sempre com as mesmas palavras: “agora, vamos pedir a nosso Senhor Jesus Cristo que derrame uma chuva de prata na cabeça de Dona Totoca”. Totonho gostava muito dela.

A mãe Totoca até hoje brinca e comenta que deve ser por isso que seus cabelos branquearam tão cedo.

Barbacena, eu me lembro... “GILDA” não tinha maldade e não incomodava ninguém, mas nem por isso deixou de encontrar um implacável algoz. Foi gratuita, covarde e brutalmente assassinado numa calada de noite.

Mande também a sua colaboração para o e-mail ricardo@barbacenaonline.com.br.


... das tardes de sábado, quando ia com meus pais e meus irmãos à missa na Basílica de São José Operário, que chamava-se, para mim, na verdade, de Igreja do Jubileu. Com meus 5 anos de idade, admirava a Maria Cantadeira, com todo aquele vozeirão que até hoje podemos apreciar, e também da vozinha miúda, quase sumida, do Padre Joaquim.
(Cássio Resende Miranda)


... com saudades, de quando moleque, vinha a Barbacena, querida terra de minha mãe e ia à praça ver aqueles macacos que ali existiam.
(Sérgio Luiz da Silva)


... com saudades da querida professora Maria Tavares Quirico, de valor inestimável, amável com todos os alunos e pais.
(Emerson Eduardo Nascimento)


... das vésperas do desfile de Sete de Setembro quando nós, alunas da Escola Normal, tínhamos que ir para o colégio com a saia do uniforme de gala para que a Dona Graciema medisse a bainha das mesmas. Elas tinham que estar quatro dedos acima do joelho, senão a bainha era desmanchada e a gente tinha que ir embora para casa com a saia desbainhada para que fosse feita novamente e no comprimento certo. No dia do desfile lá estávamos nós, com a bainha feita do nosso jeito, bem acima dos quatro dedos...
(Magda Miranda)


... dos bailinhos da década de 80 e 90 do Colégio Polivalente onde, naquela época a gente saia de onde fosse atravessava a cidade a pé para curtir as melhores épocas do rock nacional, e é claro que ninguém é de ferro, arrumar umas namoradinhas de fim de semana e depois despencar a pé de lá em altas madrugadas
(Marcos Jose de Araújo – Ratinho – Sorocaba/SP)


... da rua Piauí, no bairro do Campo, onde nasci. Já na adolescência, morando no bairro Boa Morte, recordo-me do campo do seu Washington, das paqueras com as meninas da Escola Normal. Do meu tempo do Colégio Estadual, EPCAr. E os clubes que freqüentávamos no final dos anos 70, início dos anos 80, Andaraí, Barbacenense. E ainda as figuras pitorescas como o GMC (que não era flamenguista como já disseram e sim vascaíno), Isabelinha, Botina da Dobradinha. Saudade dos carnavais, Voz do Povo, Tijuca, Unidos do Vila e da minha União das Cores, carnaval sempre animado pelo ícone da comunicação, o saudosíssimo Barbosa Silva (nunca terá outro).
(Tony Nascimento – Belo Horizonte)


... do meu saudoso pai, Fernando Furtado, contar que em Barbacena antigamente existiam poucos carros, onde o meio de locomoção era feito através de cavalos, charretes etc. Dizia que quando um cavaleiro passava montado em um cavalo bom na praça dos Andradas, os doutores, médicos e dentistas ao escutar o barulho do cavalo marchar, saíam de seus consultórios para admirar e tentar comprar aquele cavalo bom.
(Fernando Furtado Júnior)


... das manhãs geladas e a garotada de uniforme cinza indo pro colégio estadual. Das férias inesquecíveis na fazenda do meu avô, coronel Belizário, fazenda da Pedra, junto com primos e tios fantásticos, grande família Moreira. Dos meus pais que já se foram... das festas de colégio, do Icaro, clube Barbacenense, pizza do Gino (grande Giacinto, revolucionou a culinária da região)
(Márcio Paulo Moreira – Porto Alegre RS)


... das intermináveis brigas com os cadetes da EPCAR (apelidados de coca-colas), que transformou o centro da cidade, em 1963 (?), numa verdadeira praça de guerra. Todos os cadetes vieram para a Rua XV armados de sabres causando horror em todas as pessoas que saiam da primeira sessão do Pálace. O combate somente terminou, depois de muita luta, quando um caminhão cheio de soldados do batalhão chegou na Praça dos Andradas. Valmick Campos (de saudosa memória) pedia calma à população através de um alto falante instalado na Radio Barbacena. Foi uma noite de batalha bem na Rua XV.
(Odair Reis)


... dos torneios Independência, na qual fomos campeões em 1983. De ficar sentado de madrugada, com a turma, no ferro do Bias.
(Paulo Fernando – TATU - Macaé – RJ)


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NOTA DA REDAÇÃO:
Barbacena, eu me lembro... será publicado semanalmente no Portal de Notícias Barbacena On Line. Mande sua colaboração para ricardo@barbacenaonline.com.br.




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