| Nas ruas, aqueles meninos peraltas, meio compungidos,
começam a sacudir matracas. A Matriz está
em trevas. Panos negros recobrem os seus retângulos
de luz. Há uma luz morta envolvendo o templo.
Para a procissão do Entêrro, nesta noite
de abril, fria e bela, como uma branca lua cheia, as
multidões começam, desde à tardinha,
a varar as estradas de Sítio, dos “Farias”,
do Cangalheiro, do Monte Mário. Vêm com
suas botinas penduradas aos ombros, seus terninhos de
brim lavados e passados que faz gôsto. E começa
a se esparramar pela praça tôda, esperando
a hora.
O mulato Saul que já antes víramos, classicamente
carreando o rebecão para as cantorias dos Passos,
agora anda com a escadinha da Verônica. Quem será
a Verônica êste ano?
... Já é quase meia-noite. As confeitarias
regorgitam de gente humilde que disputa pasteis. Aquêles
mais humildes vendedores de café frio e “xicolate”
e bolinhos e biscoitos de polvilho e quejandas, já
satisfeitos contam os níqueis da féria,
jogam fora a água da lavagem da louça
e apagam os últimos tições... Noite
inesquecível das sextas-feiras da Paixão...
NOTA DA REDAÇÃO:
Texto publicado na Revista Acaiaca, em julho de 1953
e mantido na forma exata do original. Cedido por Júlio
Faria.
Mande também a sua colaboração
para o e-mail ricardo@barbacenaonline.com.br.
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... dos macacos do "Jardim dos Macacos",
do misto quente com suco de laranja do restaurante
"A Brasileira", quando era defronte
à praça.
(Demilson Vigiano)

... do corso com os carros de capota conversível,
ligados por serpentinas, que faziam o trânsito
em mão dupla, iam e vinham pela rua XV
de Novembro, Praça dos Andradas, Praça
Pedro Teixeira e Praça Dom Silvério.
Os muito bem cuidados carros de aluguel de Chico
Padeiro, Pedro Turco, Polidoro, Benjamim Cury
etc. Eram muito disputados para fazer o corso.
Meu tio, Rubem Coutinho tinha um “Ford de
bigode”, 1929, que era a alegria dos sobrinhos.
(Newton Siqueira de Araújo Lima)

... dos desfiles de 7 de Setembro. Rua XV de Novembro
apinhada. Nós, do Imaculada, tínhamos
de marchar em pelotões de seis fileiras,
uniforme de gala obrigatório. A parada
final era na Praça Marechal Deodoro, Policlínica,
onde já nos aguardavam, pois sempre desfilavam
na frente, os gloriosos rapazes do Colégio
Estadual ou da Escola Agrotécnica, muitos
tirando fotos das namoradas. Os "cadetes"
da EPCAR fechavam o desfile, com aviões
dando rasantes sobre a cidade.
(Vera Coimbra)

... de grandes filas nas tardes de domingo para
o matiné do Cine Pálace. Os filmes
de Walt Disney eram os preferidos da criançada.
Lembro também de comprar balas “Chita”
antes de me sentar no cinema.
(Ricardo Salim)

... do GMC batendo suas colherzinhas pelas ruas
de nossa cidade. Muitas lembranças dele!"
(Júlio Fonseca)

... do carnaval que começava na quarta,
com a 'batalha de confetes', do saudoso Barbosa
Silva, na quinta desfilava as meninas do "desespero
sem causa", acho que era esse o nome. Ainda
tínhamos o 'É com esse que eu vou'
e o 'bloco do saco'. Era um carnaval maiúsculo,
sem dúvida...
Antônio Luiz Duarte (Barbacena)

... da hora dançante no Barbacenense, domingo
à tarde. Sovon`s, Tio Patinhas, Mister
Babu.
(Lígia Márcia G. Lima)

... das festas da Boa Morte, anos 70. Dona Totoca
e Dona Carlota. Barraquinha do Taki, que era o
bingo, quando acertava a gente gritava takiiiiiiiiiiii.
(José Geraldo – Lado – Santa
Luzia/MG)

... da época do Sovon´s onde toda
galera se reunia aos sábados e domingos
a tarde, para maior bate papo e paqueras. Era
legal!
(Cezar Silveira)

... do ringue de patinação ali onde
hoje existe a fonte luminosa, em frente à
Matriz da Piedade. Naquele ringue levei muitos
tombos patinando com patins emprestados pois os
"velhos" se recusavam a comprar um par
para mim. "Isso é muito perigoso",
diziam.
(Arthur Bernardes – Rio Grande do Sul)
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NOTA DA REDAÇÃO:
Barbacena, eu me lembro... será publicado todas
as quintas-feiras no Portal de Notícias Barbacena
On Line. Mande sua colaboração para ricardo@barbacenaonline.com.br. |