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Barbacena, eu me lembro...

ARTHUR BERNARDES
Editoria Cidade - 01/06 - 15h13

“Barbacena, eu me lembro”: ...de muitos outros personagens folclóricos idênticos aos descritos recentemente neste espaço.

Havia, na Boa Morte, o Sr. Néca, apelido carinhoso de família, mas, que a meninada logo deu um jeito de deturpar e, ao passar por ele um menino perguntava: “como é o nome daquele anãozinho que dorme muito”? E o outro menino respondia: “é Soneca”! E corriam, pois, a resposta do Sr. Néca eram bengaladas a torto e direito.

Certa vez um vendedor de lenha (não existia fogão a gás – como estou velho.), foi contratado pelo “velho” Álvaro Coutinho para cortar alguns bambus nos fundos de nossa casa. O lenhador disse: pode deixar “seu” Coutinho, já vou tirar o paletó para cortar bambu. Nós achamos engraçada a expressão e dias depois, quando o lenhador passou pela rua gritamos: “tira o paletó pra cortar bambu!”.

E o velho lenhador respondeu: “vou tirar o paletó pra cortar o rabo da sua mãe”! O apelido pegou e o pobre lenhador nunca mais se livrou da provocação dos impiedosos meninos.

À mesma época havia o “Colete Curto”, um cidadão que usava um colete extremamente menor que sua avantajada compleição física e a meninada não perdoava. Quando ele passava gritávamos: ôôô colete curto! E ele respondia aos gritos: colete curto é a puta (desculpem a franqueza) que pariu!

E os “Irmãos Parará”? Quem se lembra? Eram dois gêmeos negros, moravam no Monte Mário e durante a semana, em duas carroças, vendiam lenha, abóboras, morangas ovos e hortaliças na cidade.

Aos domingos vestiam-se aparatosamente e, tocando bumbo e sanfona, desciam o morro cantando festivamente, divertiam o povo que parava nas calçadas para assisti-los.

O Sr. Caiado, dono da loja “O Leão dos Retalhos” percebeu a potencialidade artística da dupla e os contratou. Aos domingos, os dois alegres irmãos desciam o Monte Mário (estrada de chão batido até a altura do Estádio Santa Tereza) e, a partir dali, fantasiados com cores vivas e com a carroça embandeirada com propagandas do “Leão dos Retalhos” percorriam as ruas Thomaz Gonzaga, José Bonifácio, Quinze de Novembro, para baixo e fazendo o retorno na Praça do Rosário, puxavam a meninada correndo atrás das carroças enquanto o povo aplaudia alegremente. A loja “O Leão dos Retalhos”, dizem, triplicou as vendas.

Mande também a sua colaboração para o e-mail ricardo@barbacenaonline.com.br.


... de passear de mãos dadas com minha mãe pelos fundos da Casa de Saúde São Sebastião. Homens, com as pernas balançando através das enormes janelas, vestindo calças da mesma cor, semelhantes a pijamas, gritavam pelos que passavam pedindo cigarro, fósforo, seja lá o que fosse, quem sabe atenção talvez, e minha mãe, solene para mim: "Olha que neste lugar morreu um jogador de futebol muito famoso, o nome dele era Heleno". Eu, andando e olhando para trás, sem largar sua mão, olhando, misto de medo e reverência, para os outros anônimos Helenos perdidos para o mundo no esquecimento daquele hospital psiquiátrico.
(Vera Coimbra)


... daquela figuraça, nunca soube seu nome, pintor talentoso, mas sempre que o flamengo vencia, ele vestia o "manto sagrado", e de posse de duas colheres, saía pelo centro, chapado, mas feliz por mais uma vitória do mais querido do Brasil, mengooooo, saudades, querido 'GMC', como carinhosamente era conhecido...
(Antônio Luiz Duarte)


... do Bloco de carnaval “é com este que eu vou”. Tive a felicidade de participar.
(Helena Márcia Neves)


... do show do Balão Mágico que, ao contrário do que já foi escrito aqui, aconteceu no Estádio do Andaraí e reuniu uma criançada animada, que não parava de cantar "pegar carona nesta calda do cometa..."
(Débora Matos - Barbacena – MG)


...a casa da rua Tiradentes número 70, onde moramos por mais de 10 anos e onde fizemos muitas festas...
(Cris, Dri, Claudia, Dani e Ju – todas – Claro França)


... das batalhas de confete às vésperas do carnaval, no Jardim Municipal, do Globo e no pequeno e belo jardim da Praça Antônio Carlos – hoje arremedo do que foi. Com bandas, toques de cornetas, pistons e saxofones, taróis e “surdos”, que abriam os festejos carnavalescos com o tradicional “Viva o Zé Pereira”, serpentinas , confetes, lança-perfumes (naquele tempo apenas uma inocente distração...).
(Newton Siqueira de Araújo Lima)


... do Carnaval, lá estávamos com uma galera e tanto, vestíamos de mulher e com muitos outros, realizávamos o futebol dos homens vestidos de mulheres. O espaço no Santo Antônio se completava com a multidão de pessoas para assistir aqueles momentos.
(Ismael Assis – Diadema/SP)


... dos Desfiles de Sete de Setembro, onde a eterna rivalidade entre Estadual e Tiradentes, ficava mais evidente. Ô saudade dos tempos onde nossa maior preocupação era ter uma fanfarra e um time de futsal ou vôlei melhor que o do outro colégio!!!
(Alessandra Vitorete)


... de estar descendo a Rua Quinze após um dia de aulas no colégio Estadual, passando em frente à Bota de Ouro onde o Seu Osvaldo com seu vozeirão anunciava, bem humorado, que o Seu Orozimbo estava “dando de graça” lá no fundo e de, mais embaixo em frente ao Palace, perguntar para a Zabelinha, que passava acompanhada de seus cachorros, quem eram os pobres para os quais ela pedia esmola, sendo que a resposta era, invariavelmente a mesma – “os pobres sou eu”.
(Luiz Carlos Duarte Ladeira - Belo Horizonte)


... do Torresmo, peça rara, que vivia rondando a Antiga Rodoviária.
(Fernanda Magalhães)


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NOTA DA REDAÇÃO:
Barbacena, eu me lembro... será publicado todas as quintas-feiras no Portal de Notícias Barbacena On Line. Mande sua colaboração para ricardo@barbacenaonline.com.br.




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