IX CAPÍTULO
TERRA DE SOL E MAR E ARGENTINA
Novo esquema e novos rumos foram traçados. Dirigi-me para
Florianópolis (terra de sol e mar). Cidade boa e muito
hospitaleira.
Procurei alguns contatos e logo fiquei conhecendo um ex-marinheiro
que parecia gente boa. Victor levou-me para sua casa e me apresentou
aos vizinhos. Era uma casa muito grande, bastante central e que
ele havia alugado para sublocar. Logo fiquei amigo de um casal
que tinha um filho pequeno. Adriano devia ter uns dois anos e
era muito amoroso. Cláudio trabalhava em uma empresa de
distribuição de medicamentos e estava sempre viajando.
Com o marinheiro fui conhecendo mais pessoas e mais logradouros.
Seus pais viviam no então famoso Morro da Mariquinha.
Era algo parecido com as favelas do Rio de Janeiro e não
tinha boa reputação. Dizia-se que nem a polícia
subia lá. Porém, eu achei os pais do amigo muito
sociais. Eram pescadores e faziam biscates. Eles tinham mais filhos.
Certo dia um dos rapazes convidou-me para conhecer um lugar próximo
onde tinha parentes. Eles chamavam esse lugar de “Canto
dos Ganchos”. Era uma colônia de pescadores, um lugar
bastante tranquilo e muito bonito. Ficamos na casa de um parente
seu e numa noite ele convidou-me para dar uma volta de barco.
Fomos para a praia e ele começou a empurrar um bote bem
grande (quinze metros de quilha). Para levá-lo até
a água ele ia deslizando sobre toras de madeira roliça.
Apesar do peso conseguimos chegar até a água e
entramos no bote. Cada um pegou o seu remo e pouco a pouco nos
distanciamos da praia. Já quase em mar aberto ele me disse
que o bote não era seu e que devíamos ir para o
Uruguai, onde encontraríamos outros companheiros, inclusive
o Victor. Como eu não estava ali para me apropriar de coisa
alheia, forcei a barra e consegui me aproximar de umas pedras,
na beira da praia. Era uma noite de lua e eu pulei em uma pedra
com a corda na mão para puxar o bote. Acontece que não
havia pedra alguma, era apenas a sombra na água e eu afundei
bastante, até o limite da corda que segurava. Com o susto
quase me afoguei.
Alcançando terra firme nos dirigimos para a casa do tio
e narramos o acontecido para ele. Nessa altura os pescadores já
estavam todos procurando o bote e os ladrões.
Contaram-me, depois, que eles costumam fazer justiça por
conta própria.
Felizmente não nos pegaram e como encontraram a embarcação
o assunto terminou ali.
No dia seguinte o Victor foi me buscar para apresentar-me a um
grupo de resistência à ditadura, cujos membros estavam
traçando planos para conseguir dinheiro. Chegando em Florianópolis
percebi que os elementos do grupo não pareciam descontentes
com o regime, mas sim, pessoas de má fé.
Logo tive a confirmação de minha desconfiança.
Fui chamado por um Delegado de Polícia para prestar alguns
esclarecimentos. Fiquei um pouco temeroso pelo fato que havia
acontecido no Canto dos Ganchos. Acontece que o problema era outro.
Victor havia tirado toda a calha da casa (que era de cobre) para
vender e estava preso.
O delegado junto com outros moradores me pediu para cuidar da
casa até que fosse resolvido o problema. Fiquei como síndico,
morando na casa e sem pagar aluguel por alguns dias.
Resolvido o problema, conversei com Cláudio e Rosemeire
e decidi ir para Porto Alegre em busca de oportunidades de trabalho.
Em Florianópolis eu havia feito alguns testes para empresas
particulares e todas informaram que não havia vaga.
Um contador de uma seguradora me informou que os problemas da
República das Rosas estavam influindo na seleção
de candidatos.
Cláudio, Rosemeire e uma assistente social conseguiram
uma carona para mim e fui para Porto Alegre ignorando o dia de
amanhã.
Lá chegando tive que vender o guarda chuva para comer.
Dia seguinte consegui emprego em uma lanchonete na rua da Praia
(rua José Bonifácio).
Na lanchonete Mateus eu entrava as 22h e saia as 6h. Atendia
no balcão fazendo e servindo sanduíches para os
clientes. Vez ou outra eu comia alguma coisa. De dia passava o
tempo na praça que ficava em frente à lanchonete.
Consegui uma mochila que passou a ser a minha casa e tudo que
eu possuía.
Certa vez, quando de um jogo de futebol de nossa seleção
com a seleção da Argentina, fui para o estádio
do Beira Rio. Perdemos, com Pelé e tudo perdemos para os
gringos. Era o final do ano de 1969.
Perdi o emprego e passei a viver de pequenos bicos; demolir paredes,
pintar, entrar areia em obras, coisas assim.
Certa noite apareceu-me uma terrível dor de dente, eu
havia passado todo o dia sem comer nada e o cigarro já
estava no fim. Sentado no banco da praça comecei a pensar
em casa.
Por que eu estava ali? Sofrendo dor e com fome. Se estivesse
na casa de meus pais eu não estaria passando por isso.
Já de madrugada, tirei o último cigarro do maço,
o acendi e fiquei brincando com o maço e com a dor de dente.
Que dor nada. É uma ilusão. Sou homem, sou forte
e bem nascido... Aí me lembrei de minha mãe. Ato
contínuo abri o maço de cigarros, tirei a caneta
do bolso e comecei a escrever. Para mim é o mais belo poema
de minha produção - Mulher. Dedicado à minha
Mãe. Simplesmente mãe. Eu tinha certeza de que ela
estava orando por mim. Acho que toda mãe tem esse defeito.
Fica rezando pelos filhos... Passa noites inteiras cuidando dos
filhos. Não importa a idade deles, não importa a
distância.
É como diz o professor Marins - toda mãe é
“chata” - e tem que ser. Foi ela quem gerou aquela
menina, aquele barbado... Muitas vezes, quase sempre ingratos.
Poucas vezes o filho pensa na mãe com gratidão.
É a natureza humana. Deve ser.
Palavras lindas são proferidas a todo momento; elogios
os mais variados - dia das mães, dia do aniversário,
dia do diploma, do casamento, mas... Sempre se pensa que ela tem
que fazer tudo, que é sua obrigação fazer
tudo, cuidar dos filhos, da casa e até mesmo do marido.
Como é pequenino o ser humano!
Resolvi ir para a Argentina e não tinha muita coisa para
arrumar. Tomei da mochila e fui para a estrada.
Primeiro carona de caminhão. Quando paramos em um posto
para reabastecimento estava chovendo. Uma chuva fininha e acompanhada
de vento.
Pouco tempo depois parou lá um ônibus com problema
no limpador de parabrisa.
O motorista, um pouco desajeitado, não conseguia consertar
o limpador e eu, observando de longe percebi que se tratava apenas
de um encaixe. Ofereci-me para tentar e ele permitiu. Com poucos
minutos ajeitei o limpador e o motorista perguntou o preço
do meu trabalho. Eu lhe disse: não é nada não
colega. Ele percebeu que eu estava de mochila e me perguntou para
onde estava indo.
Carona de ônibus de carreira eu ainda não havia
conseguido. Foi ótimo. Assentado na cozinha do carro eu
tinha quatro poltronas para descansar. Eram as únicas que
estavam vazias.
Chegando em Uruguaiana logo fiz amizade com um mineiro que havia
levado mercadoria para exportação. Nosso contato
foi porque ele gostava muito de futebol e eu havia feito uma sacola
de lona (bem hippie), com os dizeres: México / 70 - Brasil
tri.
Então ele me convidou para jantar... ou almoçar...
não sei bem. Eram três horas da manhã. Só
sei que comi bem, batendo um bom papo com os estradeiros e depois
fui para um hotel a convite dele. Mais tarde, após o café
da manhã, despedi-me e fui para a ponte da amizade. A saída
foi fácil.
Entre as duas alfândegas me senti o homem mais livre do
mundo. A entrada na Argentina foi melhor ainda. Afinal eu estava
indo para Paso de los Libres.
Passando pela alfândega argentina, logo consegui uma carona
até Corrientes.
Descobri que o argentino é gente boa. Não é
o que traduzem as transmissões de futebol. São amáveis,
delicados e muito hospitaleiros. De carona em carona passei por
Paraná, Santa fé, Rosário, Córdoba
e cheguei a Buenos Aires.
Todos os choferes que me deram carona me convidaram para comer
e foram amáveis.
Não me esqueço de um paraguaio que levava seu sobrinho
- menino de oito anos - para conhecer Buenos Aires. Foi a carona
do último trecho.
Chegando a Buenos Aires fui para um bar / café bem no
centro. Era de madrugada e os fregueses já estavam animados.
Local de boêmios e de tango.
Para mim foi uma farra. Como ainda não falava bem o idioma
eles logo descobriram que eu era brasileiro. Sorte minha, todos
queriam pagar alguma coisa e ficamos logo amigos. Tomei uns tragos,
me alimentei e me despedi para sair. Um deles se aproximou e perguntou:
Para que hotel você vai? E em português.
Não tenho hotel amigo, você não é
argentino?
Claro, eu falo português porque trabalhei no Brasil durante
quatro anos.
Tratava-se de um funcionário da IPF (a Petrobrás
da Argentina), trabalhava no sul do país e estava de férias.
Conseguiu um quarto para mim no hotel que estava e, no dia seguinte,
despedi-me porque o meu objetivo era o México, a copa do
mundo.
Na Av. Libertadores logo fiz amizade com outros mochileiros e
num bairro mais afastado entramos em um bar para fazer um lanche.
Contamos o dinheiro, eu e um chileno, e fizemos o pedido. Na hora
de pagar, o dono disse que já estava pago.
Fui saber quem pagou para agradecer e o amigo então me
disse: tenho um filho que foi para o Brasil com uma mochila. Recebi
notícias boas dele. Ele se encontra em Recife e está
sendo muito bem tratado. Fiquei feliz e por isso quero ajudar.
Fomos os dois para a casa do novo amigo.
Era um senhor de meia idade; sua esposa e filhas muito delicadas
também. Ficamos lá alguns dias e foi difícil
sair. Aquela família foi muito hospitaleira conosco, principalmente
comigo. Despedimo-nos e fomos para a estrada. A primeira carona
foi em um caminhão de uma cooperativa de laticínios.
Na fábrica comemos de vários produtos e ainda ganhamos
algumas amostras para a viagem.
Paramos em Rio Quarto onde conheci um argentino fanático
por música. Estudava o folclore e queria saber de tudo,
ademais de ser um sonho seu conhecer o México. Era um policial
civil e estava de plantão naquele dia. Convidou-nos para
a Delegacia. “Lá vocês podem tomar banho, comer
um bom churrasco e dormir tranquilos”.
Para lá fomos alguns mochileiros. Fomos bem tratados e
depois eu fiquei a pensar sobre o lance desse policial.
Praticou um ato de solidariedade e ao mesmo tempo estava com
as visitas bem perto dele, o que, em tese, não lhe daria
problema algum. Éramos desconhecidos e todos andarilhos.
Boa psicologia e para nós foi um achado.
Dia seguinte, após tomar um bom café da manhã,
nos despedimos e pé na estrada. Era uma época um
pouco difícil para os mochileiros, uma vez que em quase
todos os países da região havia guerrilheiros. Em
toda cidade que chegávamos procurávamos ficar na
praça principal e fazer amizade com os locais. Muitos do
nosso grupo trabalhavam com artesanato.
Eu fabricava símbolos hippies -colares, pulseiras, bolsinhas,
anéis, etc. Havia comprado em Buenos Aires um jogo de ferramentas
e dava para ganhar alguma coisa.
Em Mendoza policiais civis me convidaram a ir até um posto
policial, bem perto da praça. Chegando lá conferiram
os documentos de vários mochileiros, menos os meus. Fiquei
desconfiado, embora até aquele momento em parte alguma
me haviam pedido documentos. Pouco depois um oficial aproximou-se
de mim e disse que eu poderia ir, sem ao menos verificar os meus
documentos.
Na praça aguardei o chileninho, meu companheiro. Pouco
depois começaram a chegar muitos jovens. Aquela praça
era um ponto de encontro da juventude, de mochileiros e de hippies.
Uma jovem aproximou-se de mim e perguntou quanto custava um colar
que eu havia feito, o mais simples de todos. Perguntei-lhe se
ela havia gostado dele e com a confirmação dependurei-o
no seu pescoço e disse que não era nada. Ela ficou
muito feliz e saiu pulando de alegria. Juntou-se com as companheiras
e se foram da praça.
Distraí-me vendendo coisas e conversando com outros jovens
e, mais tarde, quando já estava escurecendo, a menina que
fora presenteada chegou perto, acompanhada de seus pais e trazendo
um grande pacote. É para você, abra. Havia comida,
doces, cigarros, fósforos, uma pequena panela e um cobertor
fino. Agradeci e ela se foi em companhia dos pais, feliz da vida
com seu colar e por ter conhecido um brasileiro.
Visitamos o museu de história natural, ficamos conhecendo
o trabalho dos Jivaros (miniaturas de cérebros humanos)
e fomos procurar um abrigo para dormir. Dia seguinte, fomos para
a saída da cidade. Éramos vários mochileiros
(outros brasileiros, checos, chilenos retornando...) em direção
à fronteira com o Chile.
Passamos por alguns povoados e chegamos à alfândega
argentina. Papéis em ordem, e rumamos para o Chile.
Atravessamos o túnel internacional (4.700 m) e, ao chegar
na alfândega chilena, eu, mais dois brasileiros e um checo
não conseguimos entrar no país; não tínhamos
dólares suficientes para nos sustentar.
Fomos colocados na carroçaria de uma caminhonete com destino
inverso. Pedimos ao chofer (era um argentino) que diminuísse
a velocidade e logo que saímos do túnel saltamos.
A ideia era ficarmos no espaço internacional até
à noite e então tentarmos a entrada ilegal.
Felizmente encontramos um guarda argentino que patrulhava o túnel.
Ele estava sendo rendido por um companheiro e nos convidou para
sua base. Esta ficava a uns dois quilômetros do túnel
e a uns três de Las Cuevas, um pequeno povoado de fronteira.
Lá chegando o guarda pediu que eu fosse buscar vinho em
Las Cuevas pois iria fazer um churrasco para nós. Já
estava escurecendo e o colosso branco (cordilheira) fazia um belo
contraste com a noite. A temperatura estava em torno de zero grau,
mas a beleza era tanta que o frio não contava.
Retornando com o vinho encontrei os companheiros conversando
alegremente com os guardas; a interação foi rápida.
Lá pelas duas horas da madrugada, um dos guardas devia
render o seu companheiro e disse que aquela era a melhor hora
para passarmos pela alfândega chilena. Despedimos do amigo
que ficaria na base e nos dirigimos para o túnel. O guarda
foi informando a melhor maneira de entrarmos no Chile, inclusive,
caso os cães dificultassem a entrada, como deveríamos
proceder.
Obrigado amigo e entramos no túnel. De mãos dadas,
com um pé no trilho do trem e o outro na vala paralela
a esse. Na verdade nenhum de nós sabia o final dessa aventura.
A temperatura nessa oportunidade já devia estar abaixo
de zero, uma vez que, a sensação térmica
era de muito frio.
Com as pernas molhadas até o joelho e tiritando de frio
seguimos para destino incerto.
Do outro lado do túnel tentamos passar perto da alfândega
chilena, o que não foi permitido pelos cães.
Então, como já havia sido programado, deveríamos
subir um pouco mais a cordilheira a fim de pegarmos o caminho
dos contrabandistas. Subida difícil; alguns tiveram problemas
de respiração e eu, como se nada diferente estivesse
acontecendo, tomava a neve nas mãos e a passava no rosto.
Eu estava feliz, muito feliz... Parecia estar sonhando.
Ato prazeroso, e que, de certa forma, muito me ajudou, pois me
mantinha desperto e atento.
Ao aproximarmos de um pequeno patamar na cordilheira, ouvimos
latido de cães. Correr ou não correr? Seriam os
guardas chilenos buscando os invasores? Pouco depois ouvimos uma
voz ordenando que ficássemos parados e nos identificássemos.
Como um colega brasileiro falava bem o espanhol e, por sorte
se lembrava do nome de um dos guardas que nos ajudara, comentou
o ocorrido e pediu guarida, o que evitaria o congelamento de quase
todos, uma vez que só o checo estava habituado a temperaturas
muito baixas.
Mais uma vez a sorte bafejou o grupo - o cidadão era argentino
e amigo do guarda. Como é costume nos lugares de baixas
temperaturas, o grupo foi convidado a entrar. Voltamos a constatar
a hospitalidade argentina.
O cidadão que nos deu guarida era funcionário do
posto avançado do serviço de meteorologia da Argentina
e logo nos convidou para um chá com torradas de pão
de sal e manteiga.
Eta refeição boa, principalmente porque o chá
estava pelando e serviu para esquentar a gente. Próximos
à lareira pudemos secar parte de nossa roupa, principalmente
as meias que estavam molhadas e duras de frio.
Já estava quase amanhecendo, mas conseguimos tirar uma
soneca. Despertados pelo anfitrião, ficamos sabendo que
aquele era o posto mais avançado da Argentina na fronteira
com o Chile. Estávamos bem perto do Pico do Aconcágua,
um dos pontos mais altos do nosso planeta.
Após tomarmos um cafezinho bem quentinho, agradecemos,
nos despedimos e pé na estrada, ou seja, pé no trilho
da cordilheira.
Antes de subirmos tiramos algumas fotos com turistas que já
se encontravam no local. Nosso pequeno e invencível grupo
de mochileiros iniciou a caminhada rumo ao Chile. Eram mais ou
menos 10h e o caminho dos contrabandistas (paso de los contrabandistas)
estava deserto naquele momento.
Chegar ao Chile era um compromisso moral para todos do grupo.
Já havíamos vencido muitos obstáculos e não
seria um pedacinho de montanha que nos faria desanimar.
Subindo as trilhas indicadas chegamos ao cume e a visão
do país sonhado era uma coisa impressionante, indescritível
mesmo. O Chile é realmente muito bonito.
Logo abaixo já se podia ver a linha da estrada de ferro
e a estação internacional de esqui, Portillo. Após
longa descida chegamos aos trilhos da estrada de ferro (Ferrocarriles
de Chile).
Pouco depois apareceu uma locomotiva vindo da fronteira e pensamos
em pedir carona. Fizemos o gesto com o dedo e fomos surpreendidos
- a locomotiva parou e o maquinista nos deu uma carona até
Los Andes, uma pequena cidade nas fraldas da cordilheira e que
serve um vinho quente de virar a cabeça.
Lá o grupo se desfez. Encontrei-me com o chileninho companheiro
de viagem desde Buenos Aires e juntos conseguimos carona com funcionários
do departamento de estradas do Chile (Departamento de Vialidad
Pública). Fizemos amizade com o chofer e ele nos deu o
seu endereço em Santiago.
Chegando em Santiago, o chileno foi para sua casa e eu para a
Sede Nacional dos Estudantes. Ficava bem no centro da cidade e
me receberam muito bem. Mais tarde engrossei fileiras na campanha
eleitoral de Salvador Allende.