VII CAPÍTULO

FACULDADE, APOIO POPULAR,

DESILUSÃO

Terminado o curso normal, o previsível seria seguir a carreira. E eu, sem perda de tempo inscrevi-me para o vestibular de pedagogia.

Aprovado, iniciei o curso dividido entre os estudos, o trabalho e a pequena popularidade. Esta era um incentivo e ao mesmo tempo uma ameaça até para meus correspondentes, uma vez que a maioria das cartas chegava fechada com fita adesiva. Era a censura que não nos dava liberdade nem para uma conversa informal.

Eu recebia cartas de várias partes do país e, felizmente, todas apoiando a minha atitude. Prova de que o movimento da República das Rosas foi bastante divulgado.

Querido pelos colegas, conhecido ou marcado pelos professores... Era uma situação nova que eu teria que enfrentar. Eu não podia participar da política estudantil e entendi que seria melhor não participar da vida social. Recolhi-me como se buscasse a solidão por vontade própria. Não foi fácil, já que eu estava acostumado a participar de bailes e festas em geral.

Por outro lado a popularidade local me incomodava, parte dela era negativa - eu era o comunista da rodinha. Cruel e perigoso. Algumas pessoas, até alguns familiares, me evitavam; chegavam a fechar as janelas quando eu passava. Poucos tinham coragem de parar comigo na rua, de estender u’a mão amiga.

Numa hora dessas é que se conhecem os verdadeiros amigos. Do passado poucos restaram. Alguns são frios, outros apenas delicados.

Dois sobressaíram nesse particular: Regina Aires Pinto, minha confidente e que suportou as ameaças dos militares (como amiga foi interrogada). Não entregou meus humildes poemas aos militares. Como gostava de poesias, eu as deixei em sua responsabilidade. Eram rabiscos de protestos que traduziam o meu estado de espírito.

Também eu não poderia deixar de citar o grande amigo Laurinho (Lauro Dutra) que não encontrava problema em manter u’a amizade sólida, mesmo porque ele sempre se identificou comigo. É muito liberal e independente.

Como ajudante de um programa na Rádio Correio da Serra, coloquei no ar o hino de Geraldo Vandré, embora já proibido.

O programa era dividido em duas partes: uma se chamava: “um astro na noite” e a outra “sucessos que o mundo aplaudiu”.

“Vem, vamos embora...” E eu não podia mais esperar. Sabendo fazer a hora tomei uma atitude aceita por meus pais. O IPM continuava. A imprensa noticiava prisões a toda hora. Prisões, torturas e execuções.

Parte pequena, mas influente, da mídia apoiava os militares. Estes conduziam o país para a ignorância, para o clientelismo - único meio de governar dos tiranos.

Qualquer um que não comungasse de seus pensamentos era tachado de comunista e ficava à mercê de pressões, agressões e outros tipos de combate.

Resolvi sair do país e iniciei os meus planos.


Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial de textos e fotos publicados no Barbacena On Line,
de qualquer forma, em qualquer meio (sites, portais, rádios, revistas ou jornais) sem a autorização, por escrito, do Editor.