XVII CAPÍTULO

NASCIMENTO DOS FILHOS E...

Em 1980, mais precisamente no dia 31 de março, nasceram LUCIANA e RAFAEL. Era Semana Santa e o dia escolhido por Célia e pelo médico não me agradou. Era o dia em que se comemorava o aniversário da ditadura, ou seja, de péssima lembrança não só para mim, mas também para todos os brasileiros civilizados.

Bem, não importa; o importante é que eles nasceram com muita saúde e muita disposição. Foram necessárias várias mães de leite, uma vez que Célia não era uma boa holandesa.

Trabalho dobrado e felicidade dobrada. Encarei com bastante naturalidade todo aquele processo de crescimento e de formação das crianças.

Conquistando clientes, trabalhando até altas horas da madrugada e o barco continuou a sua rota normal.

Com seriedade e muito trabalho venci muitos obstáculos e, no final de 1995, resolvi mudar de profissão, ou melhor, encarar outra profissão. Abri uma agência de viagens e turismo que, ao longo de cinco anos, movimentou bastante a região.

Essa agência promoveu três grandes congressos estaduais (o Sexto Mineiro de Neurologia, aqui em Barbacena, o Quarto Mineiro de Nefrologia, na cidade de Juiz de Fora e o Sétimo Mineiro de Neurologia, na cidade de Pouso Alegre); dois de médio porte (o Primeiro Regional da Mantiqueira e o Primeiro Mineiro de Cefaléia), todos com a presença de muitos congressistas e com a participação de especialistas nacionais e internacionais. Promoveu, também, alguns encontros de menor porte e dois bailes que deixaram boa lembrança.

Dentre os muitos sócios de fato e de direito que tive, devo destacar a Senhora Sheila e as Senhoritas Salete e Varlene, que vestiram a camisa da empresa e se dedicaram, de corpo e alma, ao bom atendimento e a concretização dos meus sonhos de menino inquieto.

Dizíamos: as pessoas que trabalham com turismo e eventos não têm todos os parafusos ou têm parafuso bambo na cabeça. Para se promover eventos é necessário bastante coragem, porque a maior parte das despesas é feita com antecedência e a receita só entra depois.

Já no caso de pacotes turísticos e passagens aéreas, assume-se com os clientes e a concretização fica por conta de terceiros (cias. aéreas, receptivos e hotéis).

No primeiro caso se gasta antes e há risco de não se vender o suficiente para pagar as despesas e, no segundo caso, inverte-se a moeda. Vende-se e fica-se com a responsabilidade da venda, embora o trabalho seja executado posteriormente e por terceiros.

Apesar de tudo, a Poptur conseguiu balançar um pouco a nossa cidade e a nossa região.

Sheila e eu fomos um pouco além. Visitamos o Chile e o Peru e conseguimos iniciar um intercâmbio que poderia render bons frutos para o nosso país e, principalmente, para a nossa região.

Acontece que o projeto internacional, aprovado por gregos e troianos, não vingou porque não teve apoio oficial.

Até hoje as pessoas interessadas nesse projeto cobram a continuidade de nossas ações, sem perceberem que, apesar do investimento não ser pequeno, há necessidade do apoio oficial.

As portas continuam abertas e eu continuo disponível para ajudar. O que não entendo é o sistema, o nosso sistema.

Chile, Argentina, Peru e outros países necessitam e querem ampliar negócios com o Brasil, mas todos eles, inclusive o Brasil, se colocam na defensiva e/ou se afogam numa burocracia que bem pode ser chamada de burrocracia.

Tenho proposto a empresários e autoridades estaduais e municipais a simplificação das coisas e, principalmente, a coragem para iniciar intercâmbio sóciocultural e comercial com várias cidades menores de países como o Chile e a Argentina.

Há cidades de porte médio nesses países que já demonstraram interesse em se tornar cidades irmãs de cidades brasileiras, principalmente de cidades de nossa região, como, Barbacena e Juiz de Fora. Por que não?

São gestos simples que muitas vezes conquistam e despertam confiança e, aí, se inicia um relacionamento que poderá dar resultados para os dois lados.


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