XVI CAPÍTULO
NOVA EXPERIÊNCIA SINDICAL
No final de 1987, fui convidado pelo então presidente
do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários
de Barbacena, José Francisco Lopes, para defender o interesse
de sua categoria na Justiça do Trabalho.
No início foram poucas consultas e pequenas causas; a
maioria de horas excedentes.
Em 1989, como o Banco do Brasil não havia cumprido acordo
firmado no TST, a CONTEC houve por bem executá-lo e nos
enviou modelo de uma ação de cumprimento objetivando
o pleito judicial.
Foi a primeira ação de cumprimento que eu patrocinei
e, adaptando o modelo às necessidades do sindicato, protocolei
três ações: contra as agências de Barbacena,
Carandaí e Antônio Carlos.
Posteriormente, o Sindicato de Santos Dumont, por seu então
Presidente, Marcos Faria, contratou-me para dar-lhes assistência.
A primeira ação foi essa de cumprimento contra o
Banco do Brasil.
Ganhamos as três do sindicato de Barbacena e perdemos a
de Santos Dumont, porque o representante do sindicato não
compareceu à audiência em tempo hábil. Por
esta fizemos recurso, mas de nada adiantou. O sindicato teve que
pagar as custas e a ação foi para o arquivo.
Das três do sindicato de Barbacena, duas seguiram para
o Tribunal Regional, sendo que a da agência de Antônio
Carlos não seguiu o seu curso normal porque os funcionários
pediram a desistência, certamente pressionados pela direção
do banco e pretendendo resguardar os seus empregos.
Tratava-se de equiparação ao Banco Central e, embora
quase todas as decisões tenham sido favoráveis,
até hoje os funcionários e/ou seus herdeiros não
conseguiram receber.
Outro fato importante na vida sindical de Barbacena foi, sem
dúvida, a luta travada entre a Diretoria do SEEB e um grupo
pequeno de bancários que queriam tumultuar as eleições
na década de 90.
Foi registrada chapa única, encabeçada pelo bancário
Elcy e, já nas vésperas das eleições,
esse grupo de bancários tentou impedir o processo eleitoral.
Como não conseguiram o seu intento, partiram para agressões
pessoais e chegaram a rasgar algumas cédulas na mesa de
apuração. Foi um fato que não acrescenta
nada ao sindicalismo, muito ao contrário, denigre a imagem
daqueles que deveriam respeitar e defender os direitos de uma
categoria. Felizmente as coisas foram contornadas e as eleições
puderam ser concretizadas, apontando como vencedores os candidatos
da chapa única.
Eleito, o Sr. Elcy Neves de Paiva tomou posse e pediu que eu
permanecesse no jurídico do Sindicato. Nesse período
foi procedida alteração estatutária e o mandato
passou para seis anos.
Foram seis anos de muito serviço e agitação,
já que os bancários derrotados no episódio
das eleições não se deram por vencidos e
propuseram várias ações contra a nova diretoria.
O Sindicato venceu todas, pois agiu dentro das normas estatutárias
e da constituição.
Posteriormente, assumiu a presidência o Sr. Geraldo de
Souza Rezende e, atualmente, o Sindicato é presidido pelo
Sr. João Siqueira Dias, agrupando, em sua base, 24 cidades.
Também é digna de nota a minha rápida passagem
pelo Sindicato Rural de Barbacena, a convite do saudoso José
Rodrigues de Oliveira (Zé do Martelo). Foram dez meses
convivendo com a fina nata dos produtores rurais de Barbacena.