GESTÃO DA POLITICA NACIONAL
DE RECURSOS HÍDRICOS
Alguns especialistas usam diferenciar o termo águas
de recursos hídricos. Segundo eles o termo
recursos hídricos deve ser usado apenas quando
se tratar de questões que se refiram ao uso;
e águas no geral quando incluirem aquelas que
não devem ser usadas por questões ambientais.
Resumindo, portanto, sempre que a proteção
ambiental das águas for considerada, o termo
águas deve ser substituído por recursos
hídricos.
É sabido que o grande planeta água está
passando sede. É incrível imaginar que
atualmente dezenas de milhões de pessoas vivam
com menos de cinco litros de água por dia em
um planeta que tem setenta por cento de sua superfície
coberta por água. É certo que a hidrosfera
aproveitável é suficiente para o abastecimento
de água de toda a população da
Terra, mas o que ocorre é uma distribuição
totalmente irregular. A água como substância
está presente em toda partes, porém
o recurso hídrico, entendido como um bem econômico
e que pode ser aproveitdo pelo ser humano dentro de
custos financeiros razoáveis, é mais
escasso.
O problema da escassez de água está
atingindo proporcções alarmantes. Em
mil novecentos e setenta e dois, a conferência
das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente
em Estocolmo já prenunciava uma crise mundial
de água. Na década de mil novecentos
e noventa, o comitê de Recursos Naturais das
Nações Unidas confirou que oitenta países,
que representavam cerca de quarenta por cento da população
mundial, padeciam de grave carência de água
e que muitos casos esta falta era um fator limitante
para o desenvolvimento econômico e social. A
escassez da água atinge hoje mais de quatrocentos
e sessenta milhões de pessoas e, se não
for modificado o estilo de vida da sociedade, um quarto
das populações mundial sofrerá
este problema nas próximas décadas.
A contaminação da água vem crescendo
assustadoramente, sobretudo nas zonas costerias e
em grandes cidades em todo o mundo. Fornecer água
potável para todos é o grande desafio
da humanidade para os próximos anos. A água
de boa qualidade pode reduzir a taxa de mortalidade
e aumentar a expectativa de vida da população.
A falta de higiene associada à escassez de
água é causadora de doenças como
tracoma, infecção contagiosa que atinge
a córnea e causa cegueira. É estimada
em meio bilhão de pessoas a quantidade de seres
que sofrem deste mal.
Aproximadamente setenta e dois mil quilômetros
cúbicos por ano de água, retornam à
atmosfera por evapotranspiração, dos
cento e dezenove mil quilômetros cúbicos
por ano da precipitação que caem sobre
os continentes. Os quarenta e sete mil quilômetros
cúbicos por ano restantes de água doce
que circulam pelo planeta, através do escoamento
superficial e subterrâneo representam o que
chamamos de excedente hídrico que é
a diferença entre o volume precipitado e o
evapotranspirado, e, pode se decomposto no escoamento
de água superficial e subterrânea.
Para ter-se idéia do volume de descarga dos
rios em países mais ricos e mais pobres em
água do planeta, vejamos a tabela abaixo:
Portanto, a distribuição
das águas no mundo e no Brasil envidencia a
necessidade de políticas nacionais e internacionais
de gerenciamento e controle de seu uso, pois como
é sabido que: noventa e sete vírgula
cinco por cento da água existente no mundo
é salgada e dois vírgula cinco por cento,
é doce. Desses dois vírgula cinco por
cento, apenas zero vírgula três por cento
correspondem à água doce de rios e lagos
e ela é renovável.
As calotas polares e glaciares, gelo e neve nas montanhas
detém sessenta e nove por cento . Por outro
lado, a disponibilidade da água foi reduzida,
por habitante, em sessenta por cento nos últimos
cinquenta anos. Atualmente, sessenta países
já vivem em guerra pela água, afetando
cerca de duzentos e trinta e dois milhões de
pessoas .
O Brasil tem realmente uma situação
privilegiada com uma extensa rede hidrográfica,
com seis grandes bacias: Amazonas, Tocantins, São
Francisco, Paraná, Praguai e Uruguai, além
das condições climáticas que
asseguram chuvas abundantes e regulares em boa parte
do país, embora, nós sabemos que isto
não é realidade em todo o Brasil. E
detém quinze por cento da água doce
existente no mundo. Dos cento e treze trilhões
de metros cúbicos de água disponíveis
para a vida terrestres, dezessete trilhões
estão em território brasileiro .
Mas esta abundante quantidade de água brasileira
tem sido contaminada pela poluição afetando
sobremaneira sua qualidade. Das diversas formas de
poluição podemos citar lançamento
de esgotos domésticos não tratados e
de efluentes industriais, a contaminação
por agrotóxicos, mercúrio de garimpos,
derramamentos de óleo, etc. Os habitantes das
cidades despejam dez bilhoões de litros de
esgoto por dia, no solo, ou nos cursos d’água
. Usos inadequados do solo por atividades econômicas,
como a agropecuária e a mineração,
são também responsáveis por processos
erosivos e de assoreamentos dos rios, com iactos negativos
sobre a fauna aquática .
A necessidade de proteção das águas
contra diversas formas de poluição e
de uso inadequado, traduz-se em normas legais que
pretendem planejar, regular e controlar sua utilização,
de acordo com os padrões e critérios
definidos por meio de uma Política Nacional
de Recursos Hídricos (PNRH) e implementados
por um Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos
Hídricos (SNGRH).