| CINCO POEMAS
NO RASTRO DA FUGITIVA
dissolução.
desfaço o nó das palavras
para lançá-las nesta folha
o mar, aqui ao lado
apaga rastros de hoje à tarde
-oOo-
fazimento verbal.
um poema se confirma
ao fim de dois versos
toma rumo
lá
pela quinta assertiva
a partir daí
tem vida própria
já não respeita
predição alguma
apenas tortura
horas, dias - quiçá
para sempre
-oOo-
aparatos.
trago todos os instrumentos
sempre no meu bolso:
chave
colírio
canivete
caneta
folha branca
que em branco
quase sempre
fica
-oOo-
poesia iracunda.
dedicado aos melindres
desta vida banal
escasseiam disponibilidades
para a poesia
a curto prazo
ela irá à forra
-oOo-
realização.
isso de ler
poemas alheios
bem concebidos
me deixa inquieto
por isso escrevo
esta linha
e mais outra
estamos quites
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