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CINCO POEMAS NO RASTRO DA FUGITIVA

dissolução.

desfaço o nó das palavras
para lançá-las nesta folha

o mar, aqui ao lado
apaga rastros de hoje à tarde

-oOo-

fazimento verbal.

um poema se confirma
ao fim de dois versos

toma rumo

pela quinta assertiva

a partir daí
tem vida própria

já não respeita
predição alguma

apenas tortura
horas, dias - quiçá
para sempre

-oOo-

aparatos.

trago todos os instrumentos
sempre no meu bolso:

chave
colírio
canivete
caneta
folha branca
que em branco
quase sempre
fica

-oOo-

poesia iracunda.

dedicado aos melindres
desta vida banal
escasseiam disponibilidades
para a poesia

a curto prazo
ela irá à forra

-oOo-

realização.

isso de ler
poemas alheios
bem concebidos
me deixa inquieto

por isso escrevo
esta linha
e mais outra

estamos quites

Publicado em 09/05/08



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