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OBSERVATÓRIO – XCV

I – UM PASSEIO POR BARBACENA ANTIGA

As fotos que o jovem Marcos Alves de Lima está expondo na Praça dos Andradas me proporcionaram fazer um passeio saudoso por nossa Barbacena antiga e lhe granjearam um diploma de Honra ao Mérito da Câmara Municipal. Ele as possui gravadas em DVD. Tenho também um álbum dessas fotos (não todas , mas as existentes com um histórico de cada uma delas; outras, faltantes em sua exposição). Revivi em cada uma passagens de minha infância, adolescência e juventude, como se fossem em filme de parte de minha vida, como a inauguração, ainda menino de calças curtas, da loja do Ao 1º Barateiro e residência do Sr. Chaquib Itar Sad (naquele tempo um acontecimento inédito). Lembrei-me dos grandes amigos da família, Ademar Alves de Sousa, José Silveira, Augusto Silveira, Simão José Doumith (em cujo sítio da Colônia Rodrigo Silva foram celebrados ns noventa anos de minha saudosa Mãe; o delicioso quibe cru preparado pela sempre lembrada Glorinha, etc....). Caminhei pelo Jardim Municipal onde se realizavam as tradicionais “kermesses” – uma festa em que toda a sociedade estava presente; e dos jovens de então, que eram “caçados” pelas também jovens na cobrança de prendas em benefício de obras sociais. Uma série de lembranças me ocorreu. Na Matriz da Piedade, o coral de Dona Nair Gonçalves proporcionou-me o prazer de, algumas vezes, fazer dueto com a conterrânea e internacional soprano Ilka Machado em “Cor Amoris” e, na missa das oito da manhã, alternar com o sargento Geraldo Meira o solo de “Divina Eucaristia”; na Igreja da Boa Morte, o solo do tradicional e quase bicentenário “Applaudatur”. O Jardim da Liberdade construído pelo arquiteto José Ravagnelli., com a sua coluna da Liberdade e o globo terrestre no topo; a estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, em cujos vagões as flores de Barbacena eram embarcadas e depois enfeitavam as lojas do Rio de Janeiro e Bel.o Horizonte; o Pontilhão, ainda obstruído no terceiro arco por um barranco e por onde passavam as riquezas deste município; as “praças de automóveis” em que trabalhavam o Chico Padeiro, o Polidoro, o Felipe (que desafiava nos palcos barbacenenses os boxeadores de fora), o Benjamim Cury (segundo ele, o pioneiro a fazer tal serviço); os corsos carnavalescos com os “Ford´s de bigode”(além do famoso Buick do Pedro Turco) entrelaçados de serpentinas e cheios de confetes e de gente a cantar “Oh! Jardineira por que estás tão triste”, “Morena, moreninha, meu amor” “Alah lá õ” ; os inesquecíveis bailes a fantasia ;. o Grande Hotel , onde se realizavam grandes recepções e no qual foi recebido gloriosamente o conterrâneo Santos Dumont em seu retorno de Paris; os blocos carnavalescos dos Bias e dos Andradas a disputarem a preferência do público; o Sabonete a tomar cerveja em um pinico e o Lulu Perereca com suas castanholas nas ruas centrais; os “blocos sujos” a cantarem a alegria da vida; o Bazar Moderno, onde comprávamos livros e cadernos escolares, e onde, sigilosamente, foi impresso o famoso “Manifesto dos Mineiros” na era getuliana; o solar Azeredo Coutinho, hoje Edifício Bianchetti, em cujo extenso pomar nos deliciávamos com os araçás, jabuticabas, limas e laranjas, e dos marmelos que desapareceram para sempre por causa de uma praga; o antigo prédio do hoje inexistente Banco Hipotecário e Agrícola do Estado de Minas Gerais , em que trabalharam dois de meus saudosos irmãos; a antiga sinuca do Pompeu e as tardes de matinê no Cine Apolo; a loja A Confiança, em que eram compradas as casemiras Aurora e Peri-Peri; o gramafone da casa de Dona Onda Gomes a esparzir música pelo espaço; a Feira de Couros e o solar do Coronel José Máximo; o sobrado em que se hospedava Tiradentes em suas vindas a Barbacena.. Um mundo de sonhos e de recordações...

II – REVITALIZAÇÃO DO CENTRO DA CIDADE

Os trabalhos continuam em ritmo acelerado e cada vez mais atravancam o trânsito de veículos, mas facilitam o pedestre, que teve o seu espaço ampliado com o alargamento dos passeios. Na frente do Santuário da Piedade, retirado o asfalto, apareceram os antigos paralelepípedos, que – faço votos – lá continuarão para restabelecer a tradição quase centenária, assim como na frente da Câmara Municipal. Que os tijolinhos doa passeios fiquem por lá mesmo e não atrapalhem o visual da quase tricentenária Matriz.

III – MEIO AMBIENTE

O pedido de demissão da Ministra Marina Silva causou grande impacto no Brasil e no Exterior, a ponto Lula, não pouco à vontade, tentar amenizá-lo frente à embaixadora alemã - grande apreciadora do trabalho da ex-Ministra. Defensora ferrenha do meio ambiente, Marina certamente se viu constrangida diante de tantos obstáculos ao seu trabalho. Seu sucessor, Carlos Minck, também defensor intransigente do meio ambiente, deixou a entender que o crescimento econômico jamais poderia ser causa da constante devastação da floresta amazônica. Preocupa-me o fato de a obsessão pelo desenvolvimento, sem dúvida indispensável - mas há de respeitar a defesa do meio ambiente, venha onerar com a monocultura o feijão com arroz no prato do brasileiro. Carlos Minck parece ter forte personalidade, e , segundo o noticiário, afirmou que vai manter “todas as políticas da ex-ministra, sem exceções aprofundá-las em algumas questões.” Seguindo ainda o noticiário, pretende colocar o Exército na defesa da Amazônia. Não há dúvida que ira enfrentar séria resistência da parte de outros ministros de Lula.

A “foto para a posteridade” dos integrantes da cúpula da América Latina, Caribe e União Européia, todos sorridentes, desmente de certo modo a séria divergência entre eles, principalmente no que se refere ao etanol e outros combustíveis não poluentes (para alguns, um entrave à produção de alimentos) – “carro-chefe” de Lula na tentativa de combater o aquecimento global, segundo o Tratado de Kioto. É verdade que ainda temos muitos milhões de hectares a serem explorados, mas isto não justifica de maneira alguma o açodamento com que está sendo encarado o problema, cuja solução não se mede por alguns anos e poderá futuramente causar dificuldades irreversíveis.

Publicado em 21/05/08



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