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0BSERVATÓRIO – CII

I – GENTILEZAS

Dentre os inúmeros e-mails recebidos, destaquei um de dileto amigo e colega, que me chamou a atenção, sobre gestos de gentileza muito raros nos dias atuais e que a gíria moderna apelidou de “frescura”, como se fosse apenas um efeminamento ou pieguice. Lembrei-me das atitudes de pessoas jovens, que cediam seus lugares nos ônibus ou outro transporte coletivo a pessoas mais idosas, mulheres grávidas ou com criança ao colo, muito comuns anos atrás e hoje pouco encontradiças na correria diária, o que me levou a recordar um conto lido há mais de cinqüenta anos e de cujo autor inglês não me recordo agora, mas fixado na mente como exemplo de gentileza e atenção, assim resumido (tentei encontrar o livro, mas não consegui): era um casal amoroso. Havia dificuldades financeiras. Vou chama-los de João e Maria, para serem mais “nossos”. A pulseira do João, muito simples, não fazia jus ao valioso relógio que recebera de aniversário; por sua vez, Maria tinha bem cuidada, longa e bela cabeleira negra, sempre desejosa de fazer um penteado diferente e comprar, para isso, uma vistosa tiara na loja próxima à sua casa. No aniversário de casamento, vindos da rua, troca de afagos e gentilezas, dupla surpresa: João entregou a Maria a cobiçada tiara que comprara com a venda de seu relógio, e Maria entregou a João a pulseira que adquirira com a venda de seus lindos cabelos. Sorrisos amarelos de carinho com a surpreendente coincidência.

A televisão tem exibido mensagem nesse sentido, aquela do cidadão prestes a tomar um táxi sob copiosa chuva, quando viu duas pessoas (pai e filho pequeno) à espera também de um carro, e cedeu gentilmente sua vez. Foi depois visto mais além ao tomar outro táxi. “Se não puder fazer tudo, faça tudo o que puder”, é uma forma de desejável e elogiável delicadeza e cavalheirismo.

Ainda há,. felizmente, pessoas que se comportam dessa maneira Dias atrás, ao visitar familiares no sul de Minas, no esburacado e mal cuidado trecho da Rodovia 265, entre São João del-Rei e Lavras, a sombra das árvores obscurecia verdadeiras crateras ao longo da estrada, e meu carro caiu em uma delas. Resultado: roda amassada e pneu vazio. Carros, caminhões e ônibus passavam velozes. Abri o porta-mala e comecei a tirar a bagagem e o pneu sobressalente, na tentativa de trocá-lo pelo danificado. Dois jovens passaram por nós em uma camioneta da Cemig e retornaram, certamente ao ver duas cabeças grisalhas em dificuldades. Ofereceram ajuda, prontamente aceita, óbvio. Em poucos minutos, fizeram a troca, o que sem dúvida eu levaria muito mais tempo. Não satisfeitos, acompanharam-nos até onde havia um borracheiro, nas proximidades de Itutinga, e continuamos nossa viagem com tranqüilidade. Como agradecer inteiramente tanta gentileza? Os deliciosos pés-de-moleque-com-leite-condensado feitos pela Elza responderam por nós, mas o gesto deles não tem preço. Um “Deus lhes pague” foi, a nosso ver, a maior recompensa.

II – LOURIVAL VARGAS

Visitei demoradamente sua exposição na galeria do edifício Chaquib Itar Sad, onde pude apreciar sua admirável criatividade. “Etéreos” foi o tema. Lourival tem feito trabalhos e exposições em várias cidades e constitui um orgulho para todos nós barbacenenses. Um artista plástico por inteiro. Que continue assim em sua trajetória vitoriosa a embelezar nossas vidas.

III – EDUCAÇÃO! EDUCAÇÃO!

Em uma reunião de professores e pais de alunos, no sul de Minas, fiquei sabendo que diversos pais manifestaram sua opinião de que seus filhos, em casa, tinham inteira liberdade, podiam fazer o que lhes aprouvesse e não havia limites, e que esses limites caberiam somente à escola. Abismado, meditei sobre tais opiniões e me perguntei: como os pais podem abdicar da educação de seus filhos e se sabe que a chamada “educação de berço” é a mais valiosa e prepara os cidadãos do futuro? A escola complementa essa educação, cabendo aos pais implementá-la em bases sólidas e em benefício da sociedade como um todo. Ainda surpreso, continuei a indagar de mim mesmo: será por isso que a violência avança inexoravelmente? Será por isso que a irreverência com os idosos não encontra nos mais jovens a necessária orientação? Será por isso que o desrespeito ao meio ambiente continua a grassar impunemente? Será por isso que a corrupção conquista mais espaços e não há quem a detenha?

Somente a Família bem estruturada poderá responder a tais perguntas.

Publicado em 18/07/08



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