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Olimpíadas

Os Jogos Olímpicos de Verão 2008, XXIX Olimpíada, foram realizados em Pequim, China, entre 6 a 24 de Agosto. O Brasil levou a sua maior delegação de atletas. Valorizou-se a quantidade e não a qualidade. No final sobraram muitas lágrimas, lamentações, reclamações e faltaram medalhas e um melhor desempenho de muitos atletas consagrados por nós, no Brasil e vitoriosos em competições na América do Sul. O brasileiro é bem humorado e fantasioso. Bastou a mídia dizer que ganharíamos quinze medalhas de ouro e a gente acreditou piamente que elas viriam. É fácil competir e ganhar da Venezuela, Paraguai, Uruguai, Peru, Colômbia em qualquer modalidade esportiva. Ganhar dos Estados Unidos, Alemanha, Rússia, China, Japão, Romênia, Espanha, Jamaica é mais complicado e quase impossível.

O esporte brasileiro precisa ser discutido em âmbito mundial, para que possamos traçar índices e metas para nossos atletas e evitar surpresas desagradáveis. Para toda competição criamos mitos. Quando eles fracassam são apagados de nossa mente e xingados, blasfemados e pisoteados. Vem uma nova competição. Eles ganham e se transformam em mitos de verdade e nós, nos orgulharemos deles ovacionando-os, aplaudindo-os e venerando-os. Somos originários de uma cultura diferente, de poucas cabeças pensantes, poucos cérebros privilegiados contrastando com os muitos recursos naturais que enriquecem uma minoria. Esquecemos de tudo rapidamente. A mídia comunica e nós acreditamos. Os resultados inesperados ou esperados desconfiadamente trouxeram um amargor, decepção e até nossa ira contra muitos atletas. Tivemos grandes vitoriosos em derrotas. Faltou a muitos atletas um preparo psicológico melhor, um alguém dizer a eles que eram ótimos e poderiam competir em igualdade de condições com outras nações, de estruturas esportivas infinitamente superiores a nossa.

A máxima "O importante não é vencer, é participar", foi defendida pela primeira vez em 1908, pelo bispo da Pensilvânia, durante um sermão aos atletas que disputariam as Olimpíadas de Londres. A frase utilizada posteriormente pelo barão de Coubertain, a quem erroneamente é atribuída, não condiz com a realidade dos tempos modernos, onde o esporte é visto como "guerra" e cada vez mais são encontradas evidências de doping. A propósito, a matriarca dos Kennedy um dia assim se pronunciou: “Meus filhos, lutem sempre pelo primeiro lugar porque o segundo é desonra para a família”. Na época, ela foi detonada pela sociedade mundial. A ex-primeira ministra inglesa, Margareth Tatcher, ao receber um prêmio pelo primeiro lugar obtido na escola assim se pronunciou: “Eu mereci”. Ninguém joga para perder. Todos jogam para ganhar. O importante é reconhecer a derrota, aceitá-la como experiência e crescimento esportivo e principalmente, competir para ganhar

O lado positivo das Olimpíadas é ver as academias de ginásticas superlotadas de novos alunos, pretensos atletas. O momento é propício para nos tornar seres saudáveis, competidores, não importando a modalidade. O interessante é mexer o corpo fazendo-o entrar em sintonia com o espírito. Vamos ser campeão para nós mesmo, driblando a ociosidade e o sedentarismo. A cada minuto nasce uma faculdade de Educação Física, a cada segundo se cria uma academia de ginástica e a cada ano surge um atleta. Vamos modificar essa temporalidade e fazer nascer a cada segundo uma pessoa saudável, cheia de esperanças, vitalidade e amor pela vida.

Publicado em 31/08/08



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