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Doce vingança

Deixando a hipocrisia de lado, você já sentiu o gostinho doce da vingança? Pare, pense e reflita para responder. Você teve a coragem de dizer que nunca se vingou de alguém? Então, receba meus parabéns! Eu já ouvi dezenas de relatos sobre o assunto e selecionei dois. Minha mãe dizia: “Quem com ferro fere, com ferro será ferido” e “chumbo trocado não dói”. Cá entre nós, deixo o julgamento para você.


Vingança nº 01

Luiz Felizardo casou-se com uma das mulheres mais lindas que meus olhos já viram. A danada além de bela era simpática, corpo escultural, elegante, sensual sem ser exibicionista, inteligente e muitíssimo agradável. Felizardo a levou para um jantar à luz de velas num tradicional restaurante especialista em comida italiana de Barbacena. A presença dela causou furor. Muitos olhares, galanteios, cumprimentos e uma pontinha de inveja. Todos naquele momento gostariam de ser o Luiz Felizardo por alguns minutos. Por ironia do destino o casal se assentou frente a quatro jovens bastantes assanhados. Com muito vinho na cuca eles começaram a engraçar pelos lados da Beldade sem o menor constrangimento. Luiz Felizardo pensou em discutir e brigar, mas brigar com quatro estava fora de cogitações e teve uma idéia genial: levantou-se da cadeira, foi até o garçom para pedir informações sobre aqueles quatros Dom Juans. O garçom lhe deu a ficha completa, eram viajantes, representantes comerciais e forneceu inclusive a placa do carro que eles estavam usando. Luiz Felizardo devorou um prato de nhoque, matutando o que fazer. Ao sair do restaurante ele foi ao seu carro, tirou do porta mala um objeto e foi direto ao carro dos “gostosões”. Abaixou-se diante dos pneus sob o olhar assustado da esposa, e fincou uma chave de fenda nos quatro. O carro arriou e Luiz Felizardo foi embora alegre, feliz, satisfeito, sorrindo e vingado.


Vingança nº 02

Fabrício era gerente de um famoso e próspero banco em Barbacena e a noite cursava Administração de Empresas. A mulherada o chamava de “pão”, “bonitão”, “gostosão” e de outras coisas mais. Ele se enchia de orgulho, brios e até ficou marrento diante de tantos elogios. Casado, pai de dois filhos, um menino e uma menina ambos com menos de cinco anos. Fabrício se transformou num exímio paquerador, garanhão e galinha. Rara era a noite que ele saía sozinho. Uma colega de sala passou a ser seu par constante. A faculdade toda sabia, Barbacena toda sabia, só a sua esposa não sabia. Dizem que o traído é o último a saber. Pura verdade. Como têm muitos fofoqueiros e gente à-toa, ela tomou conhecimento das escapulidas do marido. Antes de tomar qualquer atitude ou provocar escândalo, certificou-se da veracidade das informações. Tudo verdade, tudo comprovado por testemunhas e fotos. Um plano foi arquitetado e tudo saiu como planejado. Numa madrugada, lá pelas duas da manhã ele chegou em casa, lanchou, se lavou e foi para o quarto. Ao deitar ao lado da esposa que fingia estar dormindo, ele se espantou ao ver lençol, fronha e cobertas sujas de graxa e um forte cheiro de gasolina no ambiente. Ele se espantou, acendeu a luz e viu a esposa também suja de graxa. Ele pediu imediatamente uma explicação. Ela lhe disse para não fazer escândalos, para falar baixo e que descobrira que ele a estava traindo com uma tal Regina, bibliotecária do Colégio “X” e que ela mesma vira os dois se beijando, se acariciando no interior do carro e por várias vezes no pátio da faculdade. Atônito ele lhe perguntou o porquê das sujeiras na cama e nela. Ironicamente ela lhe disse que enquanto ele a traia com uma bibliotecária ela o traía com o mecânico de auto que tem uma oficina embaixo de sua casa. Disse ainda ser o mecânico muito bem dotado e dono de uma performance incrível na cama, um insaciável e incansável. Fabrício ficou boquiaberto e sem saber o que dizer e fazer. Ele estava nas mãos dela. A separação foi inevitável bem como sua transferência de Barbacena. A cidade toda ficou sabendo do fato, a esposa se incumbiu de propagar a noticia. Interessante foi saber que muita gente chegava perto do Fabrício Garanhão e lhe perguntava: “Você conhece a do mecânico?” Resposta: “Bem maior que a sua e suja de graxa” ou então oravam para ele: “Ave Maria, cheia de graxa...”

Publicado em 03/10/08



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