A LIÇÃO TIRADA
DAS URNAS
As últimas eleições municipais
abriram uma nova fase da política brasileira.
A população deu um recado claro aos velhos
políticos, acostumados a manter seus currais
sob o cabresto do apadrinhamento, do empreguismo, do
clientelismo, do patrimonialismo entre outras práticas
tão conhecidas por todos nós. Ficou demonstrado
que ninguém é dono do voto do eleitor.
Não adianta dinheiro e propaganda cara se o político
não tiver uma história política
democrática de transparência, ética,
diálogo e responsividade.
As velhas oligarquias políticas tendem a definhar
cada vez mais, a ponto de em breve desaparecerem da
história política do país. A democracia
moderna exige que o homem e a mulher que ocupam cargos
públicos eletivos cuidem do bem estar geral e
não dos interesses de seus respectivos grupos
políticos. Daí a responsividade, ou seja,
é preciso fazer aquilo que os eleitores querem
que seja feito. E os eleitores querem mesmo é
que seus filhos tenham boas escolas, com professores
e professoras valorizados com salários dignos,
com acesso a formação continuada, com
direito de expressarem suas idéias e posicionamentos
políticos livremente sem o receio de serem perseguidos
por A ou B, com escolas onde a gestão é
democrática permitindo aos pais, alunos, professores
e funcionários escolherem a direção,
com infra-estrutura mínima para a prática
pedagógica diária.
Os eleitores também querem um sistema público
de saúde mais humano, onde usuários, médicos,
enfermeiros e atendentes sejam vistos como cidadãos
plenos de direitos ao bem estar físico e mental.
Daí também ser necessário democratizar
o sistema, dando total transparência não
só às contas públicas, mas também
às ações e políticas que
serão implementadas. Talvez, o setor de saúde
pública seja o que mais exige a permanente consulta
pública e o diálogo entre o Poder Público
e a sociedade civil organizada. O Conselho de Saúde
deve ser democrático, com composição
favorável aos usuários e funcionários
do setor, sendo que a sua formação deve
se dar por meio de conferências públicas
onde os cidadãos escolhem diretamente seus representantes
e mantém uma permanente cobrança da prestação
de contas dos mesmos.
A nova democracia brasileira não tolera mais
o empreguismo como mecanismo eleitoreiro, inchando a
máquina pública com pessoas descomprometidas
com o bem estar coletivo e voltadas unicamente para
os seus próprios interesses privados. O serviço
público é coisa séria e, portanto,
somente aqueles que possuam competência técnica
e profissional devem ter acesso por meio de concurso
público transparente.
O orçamento público deve estar submetido
aos princípios mais avançados da democracia
contemporânea, como publicização,
prestação de contas, transparência,
responsividade, responsabilidade, poder de definir a
agenda nas mãos da sociedade civil, fiscalização
constante e implementação imperativa do
que for incluído na LDO. Dinheiro público
é coisa séria, portanto, qualquer desvio
de conduta no trato destes recursos deve ser qualificado
como crime e conduzir o responsável para trás
das grades como bandido comum.
O povo cansou da demagogia dos velhos políticos.
Quer mais seriedade na condução da administração
pública e investimentos em setores vitais para
garantir o futuro e o bem estar, como saúde,
educação, cultura, lazer, esportes, infra-estrutura
urbana, saneamento básico, formação
profissional etc. Políticos míopes que
não consigam enxergar isso serão banidos
da vida pública. O recado foi dado e basta olhar
quais os partidos que mais ganharam e os que mais perderam
prefeituras pelo país afora. Os números
não mentem e mostram sem máscaras a verdadeira
cara do novo eleitor brasileiro.
A democracia é assim, ela produz um processo
permanente de crescimento e de educação
cívica das pessoas. Claro que sempre haverá
um percentual de egoístas que continuarão
a ser cúmplices da velha política oligárquica,
clientelista, patrimonialista e demagógica, típica
dos conservadores.
Fico feliz em ver meu país dar passos largos
em direção à justiça social.
Neste sentido, podemos dizer que, se a década
de 1980 foi a década da redemocratização,
a década de 1990 a da estabilização
econômica, atualmente vivemos a década
da redução das desigualdades sociais.
E numa sociedade mais justa, o espaço para a
velha politicagem mesquinha no qual a compra do voto
via empreguismo, boquinha na máquina pública,
favores e favorecimentos, entre outras práticas
detestáveis, fica cada vez mais reduzido. Os
resultados das urnas deram o recado e só não
enxerga quem não quer ou quem não está
gostando do que está se passando pelo Brasil
afora.
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