Voltar à principal
Imprimir
Contato

ENQUANTO OS CÃES LADRAM, A CARAVANA PASSA

Uma das maiores descobertas da ciência política contemporânea foi sobre o poder da opinião pública na formação das preferências, nas atitudes políticas e nos resultados dos processos eleitorais. Percebeu-se que os indivíduos têm concepções formadas sobre os políticos, os partidos e os governos e podem permanentemente estar reformulando suas crenças, principalmente a partir de informações que vão recebendo dos meios de comunicação (jornais, revistas, rádio, tv, internet etc) e de discussões e conversas que têm junto às suas famílias, local de trabalho ou rodas de amigos.

O primeiro a descobrir o poder da opinião pública foi um norte-americano chamado Gallup que, em 1936, desafio os institutos que faziam sondagens de opinião por telefone e cartões postais, afirmando que a opinião de alguns poucos milhares de indivíduos espalhados geográfica e socialmente reproduziria um resultado muito mais próximo da realidade do que as pesquisas anteriores que abarcavam milhões de pessoas. Ele inaugurou então a metodologia da amostragem qualificada, utilizada hoje por inúmeros institutos de pesquisa de opinião pública por todo o mundo.

Mas por que estou falando sobre isso? Porque quero discutir o papel da grande mídia brasileira na formação da opinião pública e da insistência quase obsessiva da oposição tucano-democrata em criar CPIs para investigar possíveis desvios de conduta ética nas hostes do governo Lula.

As últimas pesquisas de opinião pública mostraram que o Presidente Lula têm a confiança de quase 60% dos brasileiros, sendo que cerca de 70% aprovam o governo. Isso é um fato inédito na história do Brasil. Nunca houve um Presidente da República ou um governo com tamanha aprovação perante a opinião pública. Some-se a isso o fato de estarmos num ano eleitoral, temos então uma oposição meio que desesperada com a possibilidade de serem fragorosamente derrotados pelos partidos e candidatos que hoje orbitam no campo governista, principalmente petistas e peemedebistas.

Voltemos à questão da opinião pública e o papel da grande mídia, seja ela impressa, falada, televisiva ou eletrônica. Podemos afirmar que o maior partido de oposição hoje no Brasil é o PMB, isto é, “Partido da Mídia Brasileira”. Há quase que um consenso entre os principais meios de comunicação de massa brasileiros de que deve-se produzir o máximo de notícias negativas sobre o governo Lula e de que é necessário atacar a figura do Presidente o tempo todo. Principalmente os meios de comunicação paulistas, dominados por uma elite empresarial retrógrada, ultra-liberal e tucana, através da Folha de São Paulo, da TV Bandeirantes e da Revista Veja, insistem em noticiar questões que buscam macular de forma sistemática o governo e o Presidente da República. Para eles, não interessa se o que estão veiculando é verdade ou não. O mais importante é criar um clima de permanente crítica depreciativa do governo e do Presidente.

A ciência política identifica nos jornalistas os maiores formadores de opinião pública nas democracias modernas e contemporâneas. Daí eles, sabendo disso, estarem tentando de forma escandalosa e escancarada desconstruir a imagem do Presidente Lula e do governo federal perante a sociedade brasileira. Ao invés de noticiarem os bons indicadores sociais e econômicos vividos pelo país, como o fim da dívida externa, o crescimento da economia, a expansão do emprego formal, a redução das desigualdades, a inclusão social que tem acontecido por meio dos programas sociais do governo federal, a retomada do investimento público em infra-estrutura entre tantos outros aspectos, preferem sim noticiar o embate nojento e baixo encampado por uma oposição liberal conservadora que não admite estar fora do Palácio do Planalto e que, por isso, não tem como ver suas propostas de manter o status quo inalterado vitoriosas.

Não quero aqui negar a existência de erros, equívocos e outros desvios ético-morais cometidos por homens e mulheres deste governo, mas querer fazer crer à opinião pública que discutir gastos com cartões corporativos é mais importante do que discutir o combate às desigualdades é subestimar demais a capacidade do povo brasileiro de distinguir o que é politicagem do que é política pública. Nesse sentido, as pesquisas de opinião têm mostrado que mesmo com todo esse movimento de desconstrução da imagem do Presidente Lula e de seu governo implementado pela grande mídia nacional, ela não tem sido capaz de fazer com que os brasileiros mudem sua opinião a respeito de Lula e de seu governo.

Trata-se mesmo de um Presidente totalmente diferente de qualquer outro que tivemos. É um homem como nós mesmos, que entende os nossos problemas cotidianos e que tem lutado para fazer um governo voltado para as demandas do povo. Arrisco mesmo em afirmar que, finalmente, estamos construindo um welfare state no Brasil, no qual combinamos expansão econômica, consolidação das instituições democráticas e redução das desigualdades sociais.

Portanto, a oposição tucano-democrata (ex-pefelês) deve mesmo abrir os olhos, pois em 2010 se Lula não fizer o seu sucessor, voltará em 2014 como um quase mito político. E aí, serão mais oito anos de governo nas mãos das forças progressistas e de esquerda. Enfim, já dizia o velho ditado popular: “enquanto os cães ladram, a caravana passa”.

Publicado em 14/04/08



Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial de textos e fotos publicados no Barbacena On Line,
de qualquer forma, em qualquer meio (sites, portais, rádios, revistas ou jornais) sem a autorização, por escrito, do Editor.
© Copyright 2001 - 2008 .:. Barbacenaonline .:. Todos os direitos reservados
Rua Cônego Vieira, 30 – 3º andar - sala 304 - Centro – Barbacena – MG - CEP: 36200-040
Telefone: 00+55+32+3331-7086 - ramal 21