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A QUEM PERTENCE A AMAZÔNIA?

O Le Monde publicou recentemente um extenso artigo a respeito da reativação da IV Frota da Marinha de Guerra norte-americana, responsável pela região da América do Sul. Esta frota havia sido desativada na década de 1950, pois os EUA entendiam que o seu foco de interesses estratégicos estava na Europa Ocidental, no Oriente Próximo e no Extremo Oriente, regiões onde a Guerra Fria e o sionismo se mostravam ser o centro dos conflitos e que, portanto, mereciam a atenção do Império. Trata-se de uma frota composta por um porta-aviões nuclear com quase uma centena de jatos F-18 (os aviões mais modernos do mundo), um submarino nuclear e vários navios de guerra. Ela ficará, a partir de outubro de 2008, estacionada no Atlântico Sul, muito próxima dos limites de nosso mar territorial.

Diante do eminente colapso ambiental a que o Planeta se aproxima, principalmente por conta do seu super aquecimento, os países ricos e desenvolvidos têm se mostrado, cada vez mais, interessados na região amazônica onde está a maior reserva de biodiversidade, água potável e minerais estratégicos do mundo. O argumento é de que o Brasil não tem sido capaz de garantir a preservação da floresta e, portanto, ela deve ser internacionalizada ficando sob o controle dos países ricos que estabeleceriam ali uma suposta zona livre da destruição ambiental tornando-a uma espécie de patrimônio da humanidade.

Realmente, o Brasil não tem sido capaz de evitar o rápido desmatamento da maior floresta equatorial do mundo. Entre 1530 (início da colonização portuguesa) e 1990, foram desmatados 3% da Amazônia. Já entre 1990 e 2000, foram desmatados 11%, ou seja, mais de 1% ao ano. Hoje, estamos desmatando uma área equivalente a cidade de São Paulo por mês ou um estado de Pernambuco por ano. Neste ritmo, a Amazônia deverá desaparecer antes no final do século XXI. Mas, daí defender a internacionalização de uma parte do território nacional há uma grande distância. Até porque, se a tese da Amazônia como patrimônio da humanidade é válida, então devemos considerar que o Alasca, a Taiga Siberiana, o petróleo, o dólar, o Louvre, o Museu de Arte Moderna de Nova York, a Universidade de Oxford e os Alpes também como patrimônio da humanidade.

Muito estranha a decisão norte-americana de reativar a IV Frota. Justamente no momento em que o Brasil anunciou a descoberta de gigantescas reservas de petróleo no fundo do mar (região denominada de pré-sal), colocando o país entre os detentores das maiores, senão a maior reserva deste combustível do mundo. Enfim, o imperialismo ianque está percebendo que somente se apoderando dos recursos naturais alheios conseguirão manter sua hegemonia por mais tempo e o Brasil é detentor de gigantescas reservas de ferro, manganês, bauxita, nióbio, petróleo, água, madeira etc.

Desde 2005 que o governo brasileiro estabeleceu uma geopolítica que busca se afastar relativamente de Washington, estabelecendo parcerias com países que consideramos importantes para fazer um contraponto aos interesses norte-americanos. Por exemplo, o Exército Brasileiro está enviando militares para treinar no Vietnã, único país no mundo a vencer uma guerra contra os EUA. Também estamos estabelecendo uma parceria bélico-industrial com a França, no sentido de comprarmos caças supersônicos e construirmos nosso primeiro submarino nuclear. Por fim, o Brasil tem tentado articular a formação de um Conselho de Segurança na América do Sul, no qual todos os países sul-americanos estarão discutindo estratégias de defesa de suas soberanias de forma coletiva e conjunta. Atualmente somente a Colômbia se nega a assinar o acordo que dará origem ao Conselho de Segurança, até porque ela tem fortes vínculos político-militares com os EUA, principalmente por conta do combate ao narcotráfico e às FARC.

O Brasil para ter sua soberania sobre a Amazônia e sobre o seu Mar Territorial reconhecida precisa investir na sua indústria bélica e ser capaz de produzir armas como navios, submarinos, tanques, aviões, mísseis e rifles. Também precisa avançar na pesquisa aeroespacial e química. Somente assim, estaremos livres destes gestos de arrogância por parte dos países ricos, principalmente os EUA.

Publicado em 06/08/08



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